SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Três pessoas acusadas de participar do roubo e da morte da corretora Luciani Aparecida Estivalet Freitas em Florianópolis foram denunciadas pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Um homem e duas mulheres foram apontados como executores do crime pelo MP-SC. Eles, que moravam no mesmo condomínio que a corretora, foram acusados de roubo qualificado pelo resultado de morte (latrocínio), ocultação de cadáver e corrupção de menor.
Acusação afirma que o grupo - que contava com uma empresária - agiu em conjunto e dividiu tarefas durante a ação. Uma das denunciadas teria preparado e dado substâncias sedativas à vítima para reduzir a chance de reação, enquanto a empresária, com acesso ao imóvel, teria provocado as lesões que levaram à morte, segundo o MP.
Ministério Público sustenta que, depois do homicídio, os suspeitos levaram bens e usaram dados da vítima para obter vantagem. Entre os itens citados estão o carro de Luciani, cartões bancários e informações pessoais, que teriam sido usadas em compras.
Denúncia também aponta esquartejamento e descarte do corpo, além do envolvimento de um adolescente com o crime. De acordo com o MPSC, o homem do grupo teria esquartejado o cadáver com apoio logístico das duas mulheres. Depois disso, eles transportaram e descartaram os restos mortais em locais diferentes.
Peça foi apresentada na tarde de ontem e ainda depende de análise da Justiça. Se a denúncia for recebida, o caso será distribuído a uma das Promotorias de Justiça Criminais da Capital e os denunciados passam a responder como réus em ação penal.
Nomes dos suspeitos não foram divulgados pela polícia. O UOL não teve acesso às defesas deles até o momento e o espaço segue aberto para manifestação.
Luciani Estivalet foi assassinada entre 4 e 5 de março dentro do seu apartamento, localizado na praia do Santinho, em Florianópolis (SC). Mensagens enviadas pelo Whatsapp da mulher após a morte dela ajudaram a família a descobrir o desaparecimento.
Irmã da vítima começou a notar que Luciani tinha um comportamento estranho no WhatsApp em 6 de março. Mônica Estivalet, que mora no Rio Grande do Sul, notou que, nas conversas por WhatsApp com a irmã, ela passou a usar elementos que não eram comuns e dizia estar "muito ocupada com contratos" para responder. Além disso, a corretora não enviava áudios nem atendia chamadas telefônicas.
Dois dias depois, em 8 de março, foi enviada uma mensagem cheia de erros de português do WhatsApp de Luciani para a irmã. A mensagem enviada para a irmã pedia para a família deixá-la em paz. Trechos como "persiguindo" (perseguindo), "precionando" (pressionando) e "respentem" (respeitem) levantaram suspeitas. Segundo Mônica, erros de português não eram comuns nos textos enviados por Luciani.
A partir disso, a família resolveu comunicar o desaparecimento para a polícia. Mônica pediu ao irmão, Matheus Estivalet, que mora em Santa Catarina, para ir até o apartamento da corretora e ver o que estava acontecendo. Como ela não estava no imóvel, a família fez um boletim de ocorrência e o caso passou a ser investigado.
Polícia Civil foi comunicada em 10 de março sobre o desaparecimento de, corretora de imóveis. A investigação da Delegacia de Roubos e Antissequestro da DEIC identificou compras feitas com dados e pagamentos da vítima e a polícia identificou um adolescente retirando mercadorias compradas com os dados dela.
Polícia relatou que também identificou o irmão do adolescente, de 27 anos, e a companheira dele, de 30, como moradores de um apartamento vizinho. De acordo com a corporação, o homem estava foragido do Estado de São Paulo por um latrocínio cometido em 2022 em Laranjal Paulista.
Outra suspeita apontada pela Polícia Civil e indiciada pelo MP é a administradora do residencial, de 47 anos, que teria ligação com o casal e se beneficiado das compras. A corporação disse ter encontrado pertences da vítima e mercadorias escondidos em um apartamento desocupado sob responsabilidade da mulher, que foi presa em flagrante.
Polícia informou que o casal foi preso em Gravataí (RS) após tentar fugir para o Rio Grande do Sul. O tronco da vítima foi encontrado em 9 de março em Major Gercino, com sinais de esquartejamento. As mãos dela foram achadas em um rio na mesma cidade, no dia 17.
