SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A advogada e influenciadora Deolane Bezerra terá de remover o mega hair (aplique no cabelo) para ficar na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
Ela também não pode usar brincos e terá de retirar piercings, se tiver.
Deolane foi presa na quinta-feira (21) sob suspeita de ligação com lavagem de dinheiro do PCC. O esquema utilizaria empresas de fachada, contas bancárias e patrimônio de alto padrão para ocultar recursos atribuídos à facção criminosa.
A defesa diz que ela é inocente e que "os fatos serão devidamente esclarecidos em momento oportuno". Afirmou ainda ter entrado com um habeas corpus contra a prisão da influenciadora e solicitado a mudança para o regime de prisão domiciliar.
Na penitenciária, as detentas não podem usar extensão no cabelo para que os apliques não sejam usados em possíveis tentativas de fuga ou como moeda de troca em comércio informal dentro da prisão.
Essas informações são de policial penal que atua na unidade para onde Deolane foi transferida na sexta-feira (22), depois de passar uma noite na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista.
A advogada está em uma ala especial destinada a advogadas presas. A ala conta com oito celas, segundo o policial penal. Cada uma tem duas camas. Deolane está sozinha em uma cela de 9 metros quadrados e não teve contato com nenhuma outra presa.
Essa ala é separada das presas comuns. Uma não tem acesso à outra. De acordo com as informações, as presas dessa ala têm o mesmo uniforme e mesma alimentação que as demais. A diferença é que recebem dois colchões e têm ventilador na cela e chuveiro individual.
Além de Deolane, há mais uma advogada presa na mesma ala.
As visitas às presas dessa ala são aos sábados, das 8h às 16h, enquanto as das demais detentas são aos domingos.
Cada cela tem direito a um aparelho de rádio e a uma televisão. A cela da Deolane ainda não tem os equipamentos, segundo o policial penal, porque a família precisa depositar um valor de até um salário mínimo no pecúlio dela para que os aparelhos sejam comprados e entregues a ela.
A SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) afirmou que Deolane foi alocada de acordo com decisão judicial, que reconheceu a existência de seu registro ativo como advogada.
"Assim como as demais presas que ingressam no sistema prisional paulista, ela cumpre, atualmente, o Regime de Observação na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista e recebe refeição padrão servida na unidade, além de ter direito a banho de sol diário, em horários pré-determinados", explicou.
Segundo a pasta, dados individualizados de custodiados não são fornecidos. "Estruturas de celas e outras alas não são divulgadas por questões de segurança", reforçou a SAP.
A defesa de Deolane foi procurada, mas não respondeu até a publicação deste texto.
A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) Seção São Paulo declarou que existe previsão legal no Estatuto da Advocacia para que advogados presos preventivamente, ou seja, antes do trânsito em julgado da sentença, sejam recolhidos em sala de Estado-Maior ou, na ausência, em local equivalente, separado dos presos comuns. O entendimento, de acordo com a Ordem, está previsto no artigo 7º, inciso V, da Lei Federal nº 8.906/94, que assegura aos advogados condições específicas de custódia antes de condenação definitiva.
"A Comissão de Prerrogativas da OAB-SP acompanha o caso envolvendo a advogada e influenciadora Deolane Bezerra no âmbito da defesa das prerrogativas profissionais previstas em lei, e não por qualquer privilégio pessoal", afirmou.
