SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu o piloto de avião preso sob acusação de chefiar uma organização criminosa voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes. A investigação aponta que vítimas eram aliciadas com dinheiro, presentes e ajuda financeira às famílias.

O piloto Sérgio Antônio Lopes, 60, foi preso em fevereiro deste ano dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, quando se preparava para operar o voo LA3900, da Latam, com destino ao Rio de Janeiro.

A reportagem ligou e enviou mensagens para a advogada Claudia Apolonia Barboza, que representa o piloto, na manhã desta segunda (25), mas ela não se manifestou até a publicação deste texto.

Em abril, ela afirmou que iria preservar o segredo de Justiça que o caso impõe ?por envolver menores de idade? e dizia acreditar na sensibilidade do Judiciário em "adequar suas condutas e desconstruir uma imagem de monstro que foi criada para promoções pessoais".

A advogada também comentou que Lopes passou por uma cirurgia grave e por um tratamento que trouxe uma alteração sensível, química e comportamental, e que "isso explica muitas coisas".

De acordo com a investigação, o piloto é suspeito de organização criminosa, estupro de vulnerável, favorecimento da exploração sexual de menor, divulgação de cena de pornografia, produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil, aliciamento de crianças, venda de material pornográfico infantil, falsa identidade, coação no curso do processo, maus-tratos e favorecimento da prostituição.

A apuração começou em outubro de 2025, após uma das vítimas, já maior de idade, procurar a polícia. Segundo a delegada Ivalda Aleixo, responsável pelo caso, as investigações identificaram um homem que produzia, armazenava e compartilhava material de pornografia infantil, além de ameaçar e abusar sexualmente das vítimas.

Ainda segundo a delegada, uma das vítimas afirmou que o piloto tinha como alvo crianças e adolescentes, principalmente moradoras de bairros periféricos, que eram aliciadas com dinheiro para a produção de fotos, vídeos e encontros. As adolescentes também seriam induzidas a recrutar novas vítimas.

No celular do piloto, os investigadores encontraram fotos e vídeos de diversas meninas.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que as provas reunidas até o momento indicam uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, "com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos".

De acordo com a investigação, o piloto também aliciava mães e avós das vítimas e exigia fotos e vídeos das crianças. Segundo os investigadores, ele pagava aluguel, comprava medicamentos, presenteava as famílias com televisores e dava entre R$ 30 e R$ 100 aos responsáveis pelas vítimas após os encontros.

A polícia também apura o uso de documentos falsos para entrar em motéis com adolescentes.

A polícia aponta que o suspeito produzia, armazenava e compartilhava material de exploração sexual infantil, além de ameaçar as vítimas para manter o esquema em funcionamento.

A Latam demitiu Lopes após tomar conhecimento das acusações.