SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O rápido avanço de uma espécie invasora e venenosa no litoral nordestino tem preocupado cientistas. Além de causar grande impacto ambiental, o animal também representa uma ameaça à população.

O peixe-leão (Pterois volitans) é uma espécie invasora originária da região do Indo-Pacífico. Chama atenção pela aparência exuberante, marcada por listras brancas, vermelhas e alaranjadas, além de longas nadadeiras e espinhos espalhados pelo corpo.

Espécie chegou ao Atlântico por ação humana, se espalhou pelo Caribe e conseguiu ultrapassar a barreira natural da foz do Amazonas. Assim, nos últimos anos começou a ser registrada na costa norte do Brasil.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os primeiros registros oficiais no país ocorreram em 2020. Em poucos anos, o peixe-leão já havia se espalhado no litoral do Nordeste, especialmente na região de Fernando de Noronha.

Estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará aponta que o peixe-leão invadiu pelo menos 18 áreas marinhas protegidas entre 2020 e 2024. Essas áreas incluem parques marinhos, reservas biológicas e regiões de pesca artesanal protegida.

O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) classifica o peixe-leão como uma grande ameaça à biodiversidade marinha brasileira. A espécie se alimenta de diversos animais, desde peixes até crustáceos, consegue ocupar diferentes ecossistemas e apresenta rápida capacidade de dispersão.

Peixe-leão ameaça principalmente espécies endêmicas, aquelas que existem apenas em determinadas regiões. Cerca de 29 espécies brasileiras de peixes já foram classificadas como vulneráveis à predação do invasor.

Por outro lado, ele praticamente não possui predadores naturais no Atlântico, o que favorece sua expansão. Além disso, 88% das áreas afetadas não realizam remoção regular da espécie, fator que contribui para a explosão populacional do animal.

Outro problema são os espinhos venenosos. O contato pode provocar dor intensa, inchaço, febre e até desmaios em casos mais graves. Por isso, autoridades ambientais recomendam não tocar no peixe, mesmo quando ele estiver morto.

Segundo um estudo publicado na revista científica Nature, a espécie pode alcançar mais de 3.500 quilômetros do litoral brasileiro nos próximos anos. O avanço acelerado tem levado órgãos ambientais a ampliar medidas de controle e monitoramento.

Ações de monitoramento, captura e educação ambiental são feitas para conter a invasão da espécie. Campanhas são realizadas para informar a população -principalmente pescadores e comunidades costeiras- sobre os riscos.

Atualmente, o principal método de controle é a captura manual feita por mergulhadores treinados, utilizando arpões e redes específicas em recifes e áreas protegidas. A remoção manual ainda é considerada a estratégia mais eficiente para reduzir a população do peixe-leão no Brasil.