A taxa de homicídios de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil caiu 33,9% entre 2014 e 2024, mostra o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Nesses 10 anos, o país teve 301.825 jovens assassinados nessa faixa etária, o que equivale a 75 por dia e representa 46,5% das vítimas de homicídios no país.
As maiores reduções na taxa de homicídios de jovens foram no Distrito Federal (-79,6%), Goiás (-67,8%) e São Paulo (-58,0%), sendo que alguns estados registraram aumento, como Amapá (+45,2%), Pernambuco (+7,5%) e Bahia (+6,4%).
Quando observados apenas os homens jovens, a taxa caiu 39,1% entre 2014 e 2024. A maior queda foi registrada no Distrito Federal (81,7%).
Segundo o Atlas da Violência, em 2024, 19.801 jovens foram assassinados, com taxa de 42,2 homicídios por 100 mil habitantes.
A pesquisa aponta ainda que, se forem considerados os homicídios ocultos, que são casos prováveis de assassinato que não foram oficialmente registrados, a taxa estimada sobe para 46,1 homicídios por 100 mil pessoas.
A menor taxa de homicídio por 100 mil jovens no país, em 2024, foi encontrada no estado de São Paulo (10,7), com os maiores índices no Amapá e na Bahia, onde houve 114,7 e 101,8 homicídios por 100 mil jovens, respectivamente.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, a cada ano, cerca de 193 mil jovens morrem violentamente no mundo. Os homicídios de jovens entre 15 e 29 anos respondem por cerca de 40% das mortes violentas globais.
A OMS acrescenta que, para cada jovem morto, muitos sobrevivem apresentando ferimentos graves que afetam seu desenvolvimento psicológico, educacional e social, além de graves sequelas.
Violência armada e masculina
Do total de 19,8 mil jovens assassinados em 2024, 18.545 eram homens, o que representa uma taxa de homicídios de 78 por 100 mil, quase o dobro da taxa geral.
O estudo ressalta que a violência letal é predominantemente masculina e armada, resultante de fatores estruturais e concentrada, em grande parte, em regiões pobres e periféricas.
Dos 54 jovens mortos diariamente em 2024, 51 eram homens. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, as armas de fogo foram utilizadas em 84,1% dos homicídios.
O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, afirmou à Agência Brasil que uma questão central é que, antes da morte física do indivíduo, existiu um ciclo de violência em sua vida, desde o nascimento.
É um grito de alerta para tentar decidir o que a gente quer fazer com as nossas crianças, adolescentes e jovens, que são o futuro da nação, alertou.
