SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A advogada e influenciadora Deolane Bezerra se manifestou oficialmente pela primeira vez desde a prisão preventiva decretada em investigação que apura suposto envolvimento dela com o crime organizado.

A manifestação ocorreu por meio de uma carta aberta manuscrita, divulgada nesta terça-feira (26) por sua irmã, Dayanne Bezerra, após a visita à Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

Deolane negou qualquer ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), criticou a condução do inquérito policial e afirmou ser alvo de perseguição há anos.

"Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião", escreveu no início da carta.

A Polícia Civil e o Ministério Público dizem que ela participava de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Investigadores citam uma proximidade direta e íntima da influenciadora com a família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da facção e atualmente preso na penitenciária federal de Brasília.

No texto, Deolane afirmou que vem sendo associada a investigações e polêmicas públicas há mais de cinco anos.

"Isso já dura mais de cinco anos, afinal até pela morte do Kevin eu fui acusada", declarou, em referência ao funkeiro MC Kevin, morto em 2021.

A influenciadora também rebateu as suspeitas envolvendo movimentações financeiras investigadas pela Polícia Civil. Segundo ela, o valor citado no inquérito corresponde a honorários advocatícios recebidos legalmente durante sua atuação profissional.

"Reitero a minha inocência e deixo claro que estou presa pela quantia de R$ 24.500, valor de honorários que recebi na época como advogada", afirmou.

Na carta, Deolane diz ainda que nunca teve oportunidade de prestar esclarecimentos formais durante a investigação.

"Minha vida é pública, meu endereço é público. Nunca fui ouvida em mais de quatro anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos", escreveu.

A empresária também negou informações divulgadas sobre seu patrimônio e número de empresas vinculadas ao seu nome.

"É mentira que tenho 37 empresas em meu nome. Uma mentira que pode ser facilmente comprovada em uma simples pesquisa na Junta Comercial", declarou.

Em outro trecho, a influenciadora reforçou que jamais teve ligação com facções criminosas ou atuação dentro do sistema penitenciário.

"Fui advogada atuante em centenas de processos e nunca sequer estive presente na Penitenciária de Presidente Venceslau", afirmou.

Deolane encerrou a carta direcionando uma mensagem aos seguidores e pedindo apoio durante o período de prisão.

"Não sou e nunca fui bandida! Sou mãe, sou empresária, sou advogada. Uma nordestina que venceu na vida pelo próprio suor", escreveu.

"Conto com as orações e o apoio de quem sempre esteve comigo. Vocês não soltem a minha mão, não viu?", concluiu.