RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A delegada Ana Carolina Lima Medeiros de Caldas afirmou nesta terça-feira (26), durante o segundo dia de julgamento pela morte de Henry Borel, 4, que a investigação identificou uma tentativa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, de usar sua influência para evitar que o corpo da criança fosse encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal).
Segundo a policial, que atuou ao lado do delegado Henrique Damasceno na investigação, o episódio se tornou um dos pontos de atenção do inquérito. Ela afirmou que Jairinho acionou integrantes da rede hospitalar após a morte do menino.
"Como político, família poderosa, tentáculos políticos", respondeu a delegada ao ser questionada pelo Ministério Público sobre o tipo de influência que teria sido exercida. Segundo ela, os investigadores chegaram a ouvir um dos principais executivos da rede hospitalar sobre o assunto.
Ainda de acordo com a policial, caso o corpo tivesse sido liberado sem passar pelos procedimentos periciais, a apuração poderia ter sido prejudicada. "Acendeu um alerta".
Ao longo do depoimento, Ana Carolina também reforçou a conclusão da polícia de que Monique Medeiros Costa e Silva tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho na convivência com o marido.
A delegada citou mensagens recuperadas dos celulares apreendidos na investigação e relatos da babá Thayná, segundo os quais Henry teria demonstrado medo de ficar sozinho com Jairinho. De acordo com a policial, as provas reunidas indicam que Monique foi informada sobre episódios de violência envolvendo o filho.
Questionada sobre a relação entre Monique e Jairinho, Ana Carolina afirmou que não identificou elementos que indicassem submissão da mãe de Henry ao então companheiro.
"Ela pareceu estar espontânea na relação", disse.
A delegada afirmou ainda que a investigação encontrou indícios de alinhamento de versões entre os acusados após a morte da criança. Segundo ela, mensagens foram apagadas dos celulares dos dois e testemunhas teriam sido orientadas a omitir conflitos familiares e agressões relatadas anteriormente.
Para a policial, a conduta de Monique após a morte do filho reforçou a conclusão da investigação sobre sua responsabilidade no caso.
O depoimento da delegada começou na noite desta terça-feira, após mais de dez horas de oitiva do delegado Henrique Damasceno, primeira testemunha de acusação ouvida no segundo dia do júri.
Jairinho e Monique respondem pela morte de Henry, ocorrida em março de 2021. A acusação sustenta que o menino foi vítima de agressões praticadas pelo padrasto e que a mãe tinha conhecimento da violência sofrida pela criança. As defesas dos dois réus negam as acusações.
