SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Moradores da rua Lisboa, na zona oeste de São Paulo, se mobilizam em uma força-tarefa para frear assaltos e furtos que ocorrem na via. Na segunda-feira (25), eles instalaram uma faixa para alertar pedestres e motoristas sobre roubos no local.

"Cuidado! Trecho com alto índice de assalto por motoqueiros. Fiquem atentos!", dizia o banner, que cruzava a rua de um lado ao outro. O alerta foi retirado pela fiscalização da Subprefeitura de Pinheiros em menos de duas horas. Segundo a gestão, a faixa estava em desacordo com a Lei Cidade Limpa.

A faixa é mais uma das tentativas dos moradores de solucionar o problema. O grupo afirma que já procurou o 14º Distrito Policial, participou de reuniões do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança), acionou a Subprefeitura de Pinheiros e melhorou a iluminação.

Também instalou placas do Programa Vizinhança Solidária (iniciativa da Polícia Militar que incentiva o monitoramento coletivo da vizinhança) nas fachadas dos estabelecimentos. Até a hipótese de contratar segurança privada foi cogitada.

O resultado, dizem eles, tem sido pífio. "Quando ocorre um assalto e a gente noticia, à noite passa bastante viatura. Depois desaparece", afirma o cabeleireiro Marcelo Oristanio, 60.

Marcelo está há 17 anos na rua Lisboa, com um salão de beleza. Ele diz perceber um aumento "assustador" da criminalidade. Há duas semanas, ele presenciou um assalto enquanto fechava o portão do estabelecimento, acompanhado da mulher, da filha e de amigas.

O crime foi rápido e coordenado. Dois motoqueiros passaram devagar pelo local, observando a saída do cabeleireiro. A dupla seguiu até um semáforo no cruzamento com a rua Artur de Azevedo e voltou quando viu um outro veículo com um casal estacionando em frente ao salão, do outro lado da rua.

A dupla cercou as portas do veículo, sacou a arma, rendeu o casal e fugiu com os celulares.

Paola Cavanha, 66, trabalha na Lisboa desde 2007 e diz que o cenário era muito diferente. "Mudou muito o perfil daqui", diz. Ela conta que alunos do estúdio de pilates e yoga em que atua já foram roubados na via e que, neste ano, um criminoso tentou arrancar o celular das mãos dela, mas não conseguiu.

"Você saía tranquilo aqui, agora você já não sai mais, mesmo com os comércios e bares abertos", afirma Cavanha.

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirma haver uma diminuição nos crimes ocorridos na região de Pinheiros.

"No primeiro trimestre deste ano, os registros de roubos e furtos apresentaram queda de 0,25% e 9,3%, respectivamente, em comparação com o mesmo período de 2025", afirmou a pasta em nota encaminhada à reportagem.

No recorte que considera só a rua Lisboa, há uma tendência de aumento, segundo os dados criminais disponibilizados pela própria SSP. Nos seis primeiros meses do ano passado, foram 24 ocorrências de furto ou roubo no logradouro. De julho a dezembro, os casos aumentaram para 37. De janeiro a março deste ano, já são 24 ocorrências do tipo. Ou seja, em apenas três meses, a quantidade de ocorrências já atingiu o patamar do primeiro semestre inteiro de 2025.

A SSP afirmou, ainda, que a Polícia Militar ampliou o policiamento na zona oeste para coibir os roubos e furtos em Pinheiros e na Vila Madalena. São 62 agentes atuando na área.

Paola, por outro lado, relata que a criminalidade na região funciona em ciclos. "O ponto perigoso era numa rua mais para cima, depois veio para cá. Policiam a rua de lá de cima, eles descem para cá", descreve. A dinâmica é confirmada pela veterinária Deise Garcia, 33, que trabalha em um petshop na Lisboa desde outubro de 2024. "Todo dia tem assalto ?na Alves Guimarães, na João Moura, na Lisboa, na Capote Valente. Só varia a rua", afirma.

A Polícia Civil diz já ter localizado e prendido um homem envolvido nos crimes. Ele teria praticado 13 roubos na região.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo também afirma que houve uma redução nos roubos e furtos no primeiro trimestre de 2026.

"Na região de Pinheiros, são 7.803 câmeras do Programa Smart Sampa e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) mantém patrulhamento 24 horas por dia, com reforço em áreas estratégicas e operações permanentes", disse o Executivo.