O policial penal Tiago Sóstenes Miranda de Matos, 37, acusado de matar a namorada Flávia Barros dos Santos, 38, não tentou tirar a própria vida após o feminicídio, como havia sido inicialmente divulgado pelas autoridades. O crime ocorreu no dia 22 de março, em um hotel no bairro Coroa do Meio, zona sul de Aracaju.

Tiago foi atingido na cabeça de forma superficial por disparos que ricochetearam em outros alvos dentro do quarto. As informações foram detalhadas pelo MP-SE (Ministério Público de Sergipe), em coletiva de imprensa realizada na manhã deontem.

Informação de que o policial penal teria tentado suicídio após matar empresária foi contestada pelos laudos técnicos. "Essa alegação de que ele estava absolutamente abalado e que, portanto, acabou tentando tirar a própria vida cai por terra com base nas provas que até o momento foram produzidas", afirmou a promotora de Justiça Luciana Duarte.

Flávia vivia um relacionamento abusivo com o suspeito, segundo as investigações. Informações extraídas dos celulares dos envolvidos indicam episódios anteriores de violência. Segundo o MP-SE, o histórico do relacionamento entre ambos, que durava alguns meses, era marcado por comportamento possessivo, ciúmes e tentativas de controle por parte de Tiago.

O denunciado está detido preventivamente no Presídio Militar. Dias antes de ser morta, Flávia havia rompido o namoro após o homem ter efetuado disparos para o alto durante uma festa na cidade de Paulo Afonso (BA), mas foi convencida a reatar a relação após insistentes pedidos de desculpas.

Na denúncia, a Promotoria pede que o denunciado seja levado a júri popular. Ele deve responder por feminicídio consumado com duas causas de aumento de pena: emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito praticado no contexto de violência doméstica. O flagrante foi convertido em prisão preventiva logo após o crime, quando policiais militares acionados por testemunhas encontraram o suspeito deitado na cena do crime ao lado do corpo da vítima.

A advogada Priscila Mendes, que representa Tiago, afirmou que a defesa discorda de alguns pontos divulgados pelo Ministério Público.

Tiago arrombou a porta do quarto onde a vítima estava hospedada. Imagens de câmeras de segurança mostram ele entrando no hotel e efetuando múltiplos disparos de curta distância, direcionados principalmente à cabeça de Flávia, que estava deitada na cama. A arma utilizada foi uma pistola calibre .40 de uso restrito, pertencente à Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia, corporação à qual o agressor era vinculado e da qual possuía o porte funcional.

Eles haviam se conhecido o ano passado, mas pedido de namoro só ocorreu no dia 15 de março, sete dias antes do crime. Uma amiga da vítima, em entrevista ao UOL, contou a empresária e estudante Flávia Barros recebeu flores e um anel durante uma viagem.

O Ministério Público também detalhou que o denunciado mantinha uma vida dupla. Ele teria ocultado da vítima o fato de ser legalmente casado e possuir família constituída em outro estado, enquanto publicamente mantinha o relacionamento com Flávia.

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Na noite anterior ao crime, durante uma festa em Aracaju com amigos, o agressor demonstrou contrariedade. Ele se retirou do local sozinho e permaneceu na parte externa do hotel aguardando o retorno da namorada. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele tentou contato pelo celular antes de invadir o aposento para cometer o assassinato.

"A pena tem que ser rigorosa nesse caso, não só por se tratar de feminicídio, mas um feminicídio com circunstâncias que agravam absolutamente o crime, como o fato dele ser agente da segurança pública, fazer uso de uma arma funcional, por ele ter encurralado a vítima no quarto, atirado nela sem possibilidade de defesa motivado e imbuído com essa questão de gênero", disse Luciana Duarte, promotora do MPSE.

EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.

O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).

Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.

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