PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou nesta terça-feira (26) um casal acusado de maus-tratos contra animais pela morte do cão Branquinho, morto a golpes de picareta em novembro de 2025, em Porto Alegre.

O caso veio à tona no começo de maio deste ano, quando o próprio homem compartilhou com a Polícia Civil imagens da câmera de segurança da casa do casal mostrando a mulher agredindo o cachorro. Uma vistoria realizada pela polícia constatou que mais de 30 animais viviam no local em más condições.

Procurada na manhã desta quarta-feira (27), a Promotoria não informou se o casal já tem advogado. A reportagem busca a defesa dos investigados.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou o recebimento da denúncia, que está sob análise da Vara Regional do Meio Ambiente, e informou que deve se manifestar somente quando houver uma decisão sobre o caso.

Cásia de Souza Zatti está presa desde o dia 13 de maio. Foi a segunda prisão dela em um mês: ela havia sido detida em flagrante sob suspeita de maus-tratos no dia 4 de maio e solta após audiência de custódia.

Também foi solicitada pela Promotoria a prisão preventiva do homem, que não teve a identidade divulgada pelas autoridades.

Segundo a Polícia Civil, ele foi acusado de violência doméstica pela companheira e afirma ter encontrado as imagens, captadas em 9 de novembro de 2025 e armazenadas em nuvem, enquanto buscava registros para se defender de uma medida protetiva solicitada por ela no dia 15 de abril.

A reportagem procurou o delegado César Carrion, responsável pelas investigações do caso, via telefone na manhã desta quarta-feira (27) para confirmar se a ordem de prisão já foi cumprida, mas não obteve retorno.

De acordo com o Ministério Público, a mulher feriu o cão com incentivo direto do então companheiro. As imagens mostram Branquinho sendo arrastado pelo pescoço com uma corda e atingido pelos golpes, morrendo no local sem receber socorro.

Cásia já era alvo de denúncia pela morte de Branquinho, e a Promotoria apresentou uma nova representação contra ela e o companheiro por maus-tratos aos demais animas. Agentes da Polícia Civil e do Gabinete da Causa Animal da prefeitura recolheram na residência deles sete cachorros, um gato, três cavalos e 24 galinhas em más condições.

Segundo o MP-RS, não havia alimentação adequada nem oferta de água potável, e os animais circulavam em ambientes sujos, com acúmulo de fezes e pouca mobilidade.

O órgão também negou a possibilidade de oferecer um acordo de não persecução penal, pediu a perda definitiva da guarda dos animais resgatados e o impedimento de que os dois tenham novos animais sob sua posse.