ILHABELA, SP (FOLHAPRESS) - A auxiliar de enfermagem Bruna Damaris Sant?Anna da Silva, 26, agradeceu, em vídeo, as orações e disse ainda sentir dores. Ela foi resgatada com vida após passar cerca de 40 horas à deriva no mar, em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo.

As imagens foram registradas por familiares durante visita ao Hospital Municipal Mário Covas Jr., onde ela está internada, na noite de terça-feira (26), e divulgadas nesta quarta (27).

Em um breve vídeo, com voz debilitada, Bruna aparece deitada no leito hospitalar, ao lado da mãe, e fala sobre o estado de saúde. "Estou melhorando, mas ainda com muita dor no corpo e na garganta", disse.

Ainda não há previsão de alta. No boletim médico divulgado pela manhã, a paciente seguia "apresentando evolução clínica favorável", e "consciente e respirando espontaneamente em ar ambiente". Segundo o documento, não há sinais clínicos de risco iminente de vida.

Bruna foi resgatada na manhã de terça-feira (26) por pescadores de Ubatuba. Segundo eles, o barco responsável pelo salvamento havia mudado a rota habitual pouco antes do encontro, circunstância descrita pelos pescadores como "coisa divina".

O caso mobilizou equipes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), da Marinha e moradores da região.

A jovem desapareceu após um passeio de moto aquática ao lado de Dheoge Pereira Bernardino, 28, que segue desaparecido.

Segundo o delegado Caio Nunes de Miranda, a moto aquática apresentou problema e afundou, deixando os dois à deriva em alto mar.

"Pelo que apurei, a embarcação parou no meio do mar e apagou. Eles ficaram um tempo sobre a embarcação, mas ela começou a afundar", disse Miranda em entrevista à TV Globo. A análise, porém, é preliminar, e o veículo está passando por perícia.

O pescador Alex Quintino dos Santos, 47, e o filho, Alan Quintino dos Santos, 25, foram os responsáveis por encontrar a auxiliar de enfermagem.

Alex contou que costuma navegar cerca de seis quilômetros mar adentro para a atividade, mas naquele dia avançou cerca de 25 quilômetros além do percurso habitual. Foi nesse trajeto que eles avistaram uma pessoa à deriva no mar.

Antes mesmo da aproximação do barco, disse, a mulher levantou os braços em um gesto de pedido de socorro.

"Graças a Deus encontramos ela com vida. Foi uma coisa divina. A gente não costuma vir para esse lado. Hoje resolvemos mudar o caminho e aconteceu isso", afirmou o pescador. "Nunca pensei que um dia eu salvaria uma vida."