SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Fabiano Lopes, 49, advogado do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior (sem partido), voltou nesta quinta-feira (28) ao julgamento do caso Henry Borel após sofrer um infarto no último sábado.
"Se for para morrer, que eu morra com a beca lá dentro", afirmou. A declaração foi dada nesta manhã a jornalistas às portas do Fórum Central da Capital, que iniciou o Tribunal do Júri contra Jairinho e Monique Medeiros na segunda-feira sem a presença de Lopes.
Quarto dia começou com atraso perto das 11h. Conforme apuração do UOL, uma das juradas passou mal momentos antes por questões "emocionais". Nesta quinta-feira, devem ser ouvidas três testemunhas, sendo duas delas ex-namoradas de Jairo, Débora Saraiva e Natasha de Oliveira Machado, além da filha de Natasha, Kaylane Oliveira Duarte Pereira.
Lopes diz que "dará a vida" pela defesa do cliente. "Fazendo meu mister, porque quando eu me propus a ser advogado, eu propus doar a minha vida pela liberdade, e é isso que vou fazer", declarou.
O homem argumentou que o julgamento poderia ser adiado e mostrou insatisfação por não tê-lo sido feito. Segundo ele, a data inicial era 22 de junho, mas devido a Copa do Mundo, a magistrada Elizabeth Machado Louro optou por antecipá-lo.
Profissional enfatizou ainda a importância de sua presença na sessão. "Eu lidero essa banca defensiva, eu escolhi cada advogado, eu estou nesse caso há mais de quatro anos. Eu conheço todos os casos periféricos."
Lopes saiu da internação antes do previsto. Em depoimento em vídeo à Rádio Itatiaia, que foi divulgado em suas redes sociais, ele disse ter assinado um termo hospitalar de responsabilidade pela saída.
Infarto do miocárdio teria sido devido ao uso de anabolizantes, segundo ele. "Aproveito também para fazer um alerta sobre o uso de anabolizantes e os graves males que podem causar à nossa saúde. Hoje, sou prova viva de que o prejuízo pode ser irreparável", escreveu pelo Instagram.
O advogado foi socorrido para o Hospital Glória D'Or durante uma reunião com colegas de trabalho. Ele está atualmente com apenas 30% de capacidade cardíaca, além de comprometimento nos rins.
No primeiro dia, o réu pediu o adiamento da sessão devido a condição clínica de sua defesa, o que não ocorreu. Segundo ele, só aceitaria ser julgado caso Lopes estivesse presente. Jairinho solicitou ainda a destituição da defesa, mas voltou atrás em seguida. O julgamento seguiu normalmente depois disso.
O julgamento ocorre no plenário do 2º Tribunal do Júri. Sete jurados serão responsáveis por decidir se Jairo e Monique são culpados pela morte de Henry, que tinha 4 anos quando morreu, em março de 2021.
Os dois réus estão presos desde abril daquele ano. Monique chegou a deixar a prisão após a primeira tentativa de julgamento, em março deste ano, mas voltou a ser detida semanas depois, após decisão do STF.
Julgamento iniciado em março precisou ser adiado porque a defesa de Jairo abandonou o plenário. Na ocasião, os advogados alegaram não ter tido acesso completo ao conteúdo de um notebook usado por Leniel, que foi anexado ao processo.
O ex-vereador também tentou transferir o julgamento para outra cidade, alegando que a repercussão do caso comprometeria a imparcialidade dos jurados. O pedido dos advogados foi negado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sob argumento de que o caso teve repercussão nacional e de que o réu deve ser julgado "no distrito da culpa", onde o possível crime ocorreu.
Apesar dos reveses, a defesa de Jairo conseguiu autorização para que uma testemunha considerada importante deponha. O Tribunal de Justiça do Rio deu aval para a participação de Miriam Santos Rabelo Costa, que acusa o pai de Henry de agressões e, supostamente, saberia de algo importante sobre o caso. Questionado sobre o assunto, Leniel disse que não poderia se pronunciar.
