SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Corpo de Bombeiros Marítimo (GBMar) intensificou na manhã desta quinta-feira (28) as buscas pelo homem de 28 anos desaparecido desde o domingo (24) em Ilhabela (SP), onde a moto aquática onde estava falhou e o deixou à deriva em alto mar.
Dheoge Pereira Bernardino, 28, estava ao lado de Bruna Damaris Sant'Anna da Silva, 26. Ela foi resgatada na terça (26) após ser avistada por pescadores.
As buscas foram retomadas às 7h30 desta quinta. Segundo o GBMar, trata-se "de uma grande operação integrada entre forças de salvamento e segurança".
Três embarcações do Corpo de Bombeiros Marítimo atuam nas diligências, que contam também com apoio de três helicópteros: um da FAB (Força Aérea Brasileira), um da Marinha e outro do Comando de Aviação de Polícia Militar.
As buscas ocorrem por uma extensa faixa marítima em Ilhabela.
Bruna é auxiliar de enfermagem e disse na quarta-feira que ainda sentia dores. Ela foi levada ao Hospital Municipal Mário Covas Jr., onde permaneceu internada.
Seu pai, Sidney José da Silva, 50, disse à Folha ter acreditado que Bruna não seria resgatada viva. "Pela lógica humana, minha filha não estava mais conosco", declarou.
Morador de São Sebastião, ele acompanhou as buscas enquanto o tempo avançava sem notícias da filha e as chances de encontrá-la com vida diminuíam.
No hospital, ela relatou à família os momentos vividos enquanto permaneceu sozinha no mar. De acordo com o pai, a jovem contou que achava que não sobreviveria.
"Ela falou para mim que, na mente dela, já tinha escrito uma carta de despedida. Um bilhete para mim, para a mãe e para toda a família", disse Silva. Segundo ele, a filha descreveu um quadro de exaustão extrema, já sem forças para continuar tentando se manter consciente.
Foi nesse momento que Bruna avistou um barco ao longe. Inicialmente, achou que pudesse ser uma ilusão provocada pelo desgaste físico e pela desidratação.
"Ela disse: ?Pai, eu já estava nas últimas forças?. Aí viu um barco de longe e pensou que podia ser uma ilusão. Mas pegou o resto de força que tinha e foi em direção ao barquinho", relatou o pai.
O reencontro entre pai e filha aconteceu no hospital, após o atendimento inicial da jovem. Sidney afirmou que Bruna estava consciente, mas bastante debilitada, com dificuldade para falar e sentindo dores pelo esforço físico prolongado.
"Ela chorou, eu chorei. Minha esposa chorou. Foi um misto de emoção muito forte", disse.
Segundo o pai, os médicos disseram que Bruna apresentava um quadro severo de desidratação, além de desgaste muscular intenso provocado pelo longo período à deriva.
