SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O suspeito de matar a ex-namorada dentro da casa da família dela, no Tremembé, zona norte de São Paulo, foi preso nesta quinta-feira (28). Segundo testemunhas, a vítima tentou correr e se esconder no banheiro antes de ser atingida pelos disparos.
Raimundo Nonato Ferreira da Silva, 52, estava foragido desde terça-feira (26), dia do crime, e foi localizado pela GCM (Guarda Civil Metropolitana). A defesa dele não foi identificada pela reportagem.
A SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que o suspeito foi detido e conduzido ao 73º Distrito Policial (Jaçanã). A pasta disse que ele foi localizado na região de Tremembé. Em depoimento, teria confessado o crime e afirmou ter descartado a arma e o aparelho celular.
A vítima, Letícia Alves de Oliveira, 26, era mãe de duas meninas, de 6 e 2 anos. Conforme o boletim de ocorrência, ela havia encerrado o relacionamento com o suspeito havia cerca de quatro meses e se mudado para a casa da mãe após uma sequência de discussões entre os dois.
Segundo relatos prestados à polícia, Letícia vinha sendo intimidada pelo ex-companheiro desde a separação. A irmã dela, Larissa Salles, afirmou em depoimento que Raimundo chegou a publicar imagens de armas nas redes sociais para ameaçar a vítima.
No dia do crime, Letícia voltou a dizer ao suspeito que não queria retomar o relacionamento. No fim da tarde, Raimundo foi até a residência da família e permaneceu no imóvel com ela.
Larissa contou que, ao retornar para casa, viu o homem sacar um revólver e apontar a arma para a irmã. Ainda conforme o depoimento, Letícia tentou fugir e correu para o banheiro na tentativa de se proteger, mas foi atingida pelos disparos.
Uma inquilina que mora no imóvel relatou ter ouvido uma discussão entre o casal pouco antes do crime. Disse também que, em seguida, ouviu tiros vindos do andar superior da residência.
Ao subir para verificar o que havia acontecido, a testemunha viu um homem correndo pela rua com a arma usada no crime. A perícia foi acionada e o caso foi registrado como feminicídio, violência doméstica e localização/apreensão de objeto.
Ao todo, 46.336 mulheres foram assassinadas no Brasil entre 2014 e 2024, aponta o Atlas da Violência. O estudo, feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi divulgado nesta semana.
Em meio ao cenário geral de queda nos registros, o estudo observa, por outro lado, que os crimes contra mulheres praticados dentro de casa, considerados indicadores de feminicídio, mantiveram-se estáveis, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
