SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nas últimas três semanas, o nível das águas do sistema Cantareira tem mantido uma queda constante, mas lenta, em comparação a medições anteriores do mapa dos mananciais da Sabesp.
Após uma diminuição de 0,3 ponto percentual do dia 14 ao 21 de maio, a queda na semana seguinte, até esta quinta (28), foi de 0,4 ponto percentual, deixando o sistema com 40,6% do seu volume total. A soma de 0,7 ponto percentual é metade do registrado no ano passado no mesmo período, quando caiu 1,5, de 43,2% para 41,7%.
O ritmo de queda do nível também diminuiu no SIM (Sistema Integrado Metropolitano), composto pelos sistemas Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço, que abastece toda a região metropolitana de São Paulo.
Na última semana, a diminuição do volume foi de apenas 0,2 ponto percentual, passando de 52,8% para 52,6%, após queda de 0,6 ponto percentual registrado do dia 14 ao 21.
De qualquer forma, os dois sistemas se mantêm no nível mais baixo desde a grande crise hídrica de 2014-2015.
A desaceleração na queda do Cantareira, que representa cerca de metade do volume do SIM, pode ser atribuída ao menor consumo de água em período frio. Com a chegada de sucessivas frentes frias e massas de ar polar, as temperaturas despencaram nos últimos dias ?sem chuvas suficientes para impactar os reservatórios.
Segundo a Sabesp, choveu apenas 53,5 mm em maio nos reservatórios do sistema Cantareira (Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro), ante uma média histórica de 72,6 mm. A queda dos mananciais já era esperada, dado o período de estiagem no Sudeste, que se estende vai do outono até o início da primavera, em setembro.
A situação poderia estar pior não fossem as ações da Sabesp desde a grande crise hídrica, quando o Cantareira operou no volume morto pela primeira vez na história. A partir de 2016, a companhia passou a integrar sistemas produtores, modernizar redes e combater perdas. Ainda assim, desde 2023 os níveis do SIM e do Cantareira têm caído progressivamente.
Em agosto do ano passado, a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) determinou a redução da pressão da água no encanamento por dez horas, das 19h às 5h.
Mesmo com a melhora registrada em março, a medida foi mantida devido à estação seca. De 27 de agosto até 21 de maio, foram economizados 146 bilhões de litros ?volume suficiente para abastecer 25 milhões de pessoas por um mês, segundo a Sabesp.
