SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um homem disse ter sido agredido após reclamar do som alto de uma igreja em frente à sua casa, em Balneário Camboriú (SC). A Polícia Civil investiga o caso.
Tiago Alves, 43, afirma que a discussão com um outro homem começou após uma reclamação de barulho. O caso aconteceu no dia 18 de maio, quando ele foi até o templo em frente à sua casa, incomodado com o som.
Segundo a vítima, o homem mandou que ele voltasse para casa e parasse de reclamar. A discussão evoluiu para ameaças e, depois, agressões. Alves afirma ter levado ao menos quatro socos.
Uma câmera de segurança registrou o momento em que ele cai no chão, recebe socos no rosto e é socorrido por pessoas que estavam no local. Também é possível ver o suspeito sendo levado para dentro da igreja. "Só descobri que ele era guarda municipal depois da agressão, na delegacia", explicou Alves, que é pai de uma criança autista de 9 anos.
Alves chegou a ficar inconsciente por alguns minutos e precisou levar seis pontos na boca. "Para mim, isso foi tentativa de homicídio, porque fiquei inconsciente. Levei quatro socos na fronte [SIC], isso poderia ter causado um problema muito sério", afirma. "Essa agressão machuca muito não só fisicamente, mas psicologicamente também."
A Igreja Assembleia de Deus Missão Avivalista (ADMA) classificou a agressão como um "fato isolado". "Pugna-se para que a investigação criminal transcorra de forma técnica, imparcial e responsável, a fim de que sejam apontados os efetivos responsáveis pelos fatos eventualmente praticados", diz o texto.
A Guarda Municipal de Balneário Camboriú e a Prefeitura de Balneário Camboriú não responderam aos contatos feitos pelo UOL. O espaço fica aberto para manifestações e o texto será atualizado caso haja resposta.
A Polícia Civil investiga o caso. A corporação informou que "aguarda laudo pericial complementar" e que, em seguida, serão realizadas oitivas.
O impasse dura mais de quatro anos e, segundo Tiago Alves, envolve ao menos três tentativas frustradas de acordo. O homem disse também que já registrou mais de 17 boletins de ocorrência contra a igreja. Além disso, ele afirma que uma denúncia foi apresentada pelo Ministério Público contra o templo, em março de 2025. "Antes disso eu tentei conversar, já assisti até um culto para mostrar boa vontade. Minha esposa já tentou dialogar e foi acusada de 'bruxaria'", diz.
A denúncia foi aceita pela 1ª Vara Criminal de Balneário Camboriú. Na decisão, a qual o UOL teve acesso, a Justiça cita a quantidade de denúncias e entende que havia indícios suficientes de autoria e materialidade do crime, com base em boletins de ocorrência, vídeos e um laudo da Polícia Científica que apontou, naquele momento, ruídos acima do limite permitido pela norma técnica.
Além disso, o MP obteve uma medida cautelar determinando que o templo realizasse isolamento acústico, sob pena de multa de R$ 50 mil. "No curso do processo, entretanto, a instituição promoveu medidas de regularização e adequação acústica do imóvel", diz o Ministério Público. A igreja reitera as alterações no isolamento, e diz que "todas as adequações e exigências determinadas pelo poder público já foram devidamente realizadas, inclusive com a respectiva apresentação da documentação nos autos do processo judicial em andamento".
Os ajustes são questionados por Tiago Alves, que diz que o som voltou a atingir um patamar ilegal nos últimos meses. "Nossa rotina já é muito difícil com um filho autista, que precisa de terapias, que tem uma rigidez cognitiva muito forte.Eu chego a ficar duas, três horas, circulando de carro com o meu filho durante o horário do culto para evitar que tenha um pico de estresse", diz.
