SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Mensagens mostram um estagiário do MPPR (Ministério Público do Paraná) oferecendo serviço advocatício para um acusado de violência doméstica em troca de frequentar gratuitamente a academia do qual o acusado é proprietário. Ele foi demitido após ser denunciado.

Uma das mensagens enviadas pelo estagiário dizia que ele iria "direto ao assunto". Ele afirmou ao acusado que o caso dele foi encaminhado para a promotoria que ele trabalha. "Uma funcionária acabou comentando que o senhor iria pegar uma advogada dativa para acompanhar o processo." As mensagens foram divulgadas pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.

Na sequência, o estagiário e estudante de pós-graduação em Direito afirma que a mãe dele é advogada e que ele gostaria de fazer uma proposta. "Esse mês meu carro estragou (só não explodiu pq (sic) Deus não quis) e estou bem apertado nas contas kk, conversei com ela [mãe dele] e ela aceitou acompanhar o seu processo", continuou.

O estagiário, por fim, falou que a forma de pagamento seria fornecer mensalidades gratuitas da academia para ele e uma mulher. Não foi informado o vínculo que a mulher teria com o estagiário. "Acredito que dessa forma fique bom", concluiu.

O caso aconteceu em março deste ano, poucos meses após a contratação do residente judiciário. Ele atuava na 1ª Promotoria de Justiça e Pitanga, no Centro-Sul paranaense.

A atitude foi descoberta após ele enviar mensagens para o número que seria do acusado e a vítima ler. Durante a separação, um aparelho que era do acusado de violência ficou com a ex-mulher, que levou o celular para análise da promotoria.

O MPPR ofereceu denúncia criminal contra o estagiário residente jurídico, segundo o órgão. O órgão aponta crimes de violação de sigilo funcional, corrupção passiva e fraude processual, todos com penas de detenção.

Não se sabe a identificação dos envolvidos. Também não foi esclarecido pelo MPPR se o acusado de violência doméstica teria contratado os serviços oferecidos pelo estagiário.

"Em razão da gravidade concreta do fato, com grave comprometimento da confiança depositada e praticado no interior das dependências da Promotoria de Justiça, foi negado o oferecimento de acordo de não persecução penal", disse MPPR, em nota.