WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Após o governo Trump listar CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Caapital) como terroristas, a deputada democrata Sydney Kamlager-Dove, copresidente do Brazil Caucus -frente suprapartidária do Congresso dos EUA dedicada às relações com o Brasil- condenou a decisão.

Para ela, a medida do governo Trump enfraquecerá "nossos laços diplomáticos com o Brasil, um parceiro estratégico fundamental na América Latina". "O governo Trump tem usado de forma excessiva e instrumentalizado as designações de FTO, utilizando-as como justificativa para realizar execuções extrajudiciais no Caribe e no Pacífico Oriental", disse a parlamentar à Folha de S.Paulo, mencionando a sigla referente a Foreign Terrorist Organizations, ou organização terrorista estrangeira.

A deputada diz ainda que a determinação acontece "sem evidências claras de que qualquer uma dessas organizações atenda aos critérios legais para ser considerada envolvida em atividade terrorista".

Kamlager-Dove, no dia anterior à visita de Lula a Trump, tinha assinado uma carta que pedia ao departamento do Estado, Marco Rubio, que não designasse as facções brasileiras como terroristas.

No documento, os congressistas afirmam que a classificação seria "contraproducente" e poderia prejudicar as relações entre Brasil e Estados Unidos. Além de Dove, a carta foi assinada por outros seis parlamentares, entre eles o democrata Jim McGovern, coautor da Lei Magnitsky nos Estados Unidos.

Segundo a democrata, a melhor forma de os Estados Unidos combaterem essas organizações seria por meio da cooperação diplomática e de segurança com o Brasil "e não por meio de designações politizadas de terrorismo estrangeiro".

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e CV como organizações terroristas foi anunciada na noite desta quinta-feira (28). A determinação ocorreu dois dias após o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter se reunido com Donald Trump na Casa Branca.

Após o encontro, ele afirmou que pleiteou ao republicano que as facções sejam classificadas como terroristas.

"Enquanto Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficantes, eu vim fazer exatamente o contrário. Pedir enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. E eles são, sim, organizações terroristas financeiras, controlam territórios inteiros no Brasil pela força, submetem populações a seu próprio código e a sua própria lei, a sua própria justiça paralela", disse Flávio.

Após a decisão, que o governo brasileiro trabalhava para que não ocorresse, o Planalto reforçou o tom de defesa da soberania, e entidades destacaram o efeito limitado no combate ao crime organizado. Para a oposição a Lula, a ação americana pode ter a capacidade de conter o avanço das maiores facções do país.