SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O vídeo de uma escavadeira em cima de um prédio em demolição na cidade de São Paulo viralizou nas redes sociais nos últimos dias. Como o "trator" foi parar lá em cima? O que está fazendo? Questionamentos desse tipo se espalharam a partir de postagem do publicitário Rafael Azzi, que fez o registro na rua Augusta, nas proximidades da esquina com a alameda Lorena, no Jardim Paulista.

A cena compartilhada milhares de vezes na internet envolve um conjunto de dois edifícios ?o voltado para a rua Augusta era conhecido como endereço de uma loja de brinquedos durante anos. A demolição antecede a futura construção de um empreendimento residencial da incorporadora One Innovation. Abrange também a derrubada de um comércio vizinho, onde havia loja da marca esportiva Speedo.

À reportagem a incorporadora explicou que a "miniescavadeira" foi içada por um guindaste até o topo do edifício, de oito pavimentos. Não se trata, portanto, de um "trator", embora tenha sido o termo utilizado nas redes sociais. O maquinário é utilizado para a derrubada do prédio, que ocorre de cima para baixo.

Esse tipo de desconstrução tem crescido em vizinhanças valorizadas e verticalizadas de São Paulo ?como em parte dos Jardins, do Itaim Bibi e de Moema. Nesses locais, prédios medianos dão lugar a versões maiores e de mais alto padrão.

Segundo a empresa, as lajes inferiores foram reforçadas antes do início do procedimento, para que suportem o peso e a atividade de "quebra" do concreto. O entulho é retirado periodicamente, a fim de evitar acúmulo de carga na estrutura.

"Esse modelo atende à complexidade do cenário, por se tratar de uma demolição em área urbana densamente povoada e com edificações vizinhas que precisam de estabilidade", respondeu à reportagem.

A chamada demolição "top-down" ("de cima para baixo" em inglês) se estenderá até por volta do segundo pavimento do prédio. O restante será derrubado de forma tradicional, com maquinário de maior porte e no nível do solo.

De acordo com a incorporadora, o procedimento seguirá até 1º de dezembro. Será de forma mecanizada, sem detonação com explosivos.

O edifício-garagem conhecido como "Caveirão" também está em processo de demolição de cima para baixo. Nesse caso, pela instabilidade da estrutura, optou-se por um método mais "manual", com a utilização de britadeiras e equipamentos de corte com oxigênio.