SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - As frequentes mudanças no Mar Morto, um dos lagos mais emblemáticos do planeta, está preocupando especialistas. O local está encolhendo em ritmo acelerado, enquanto as ações para evitar um possível colapso ainda avançam lentamente.

Diversos fatores afetam o Mar Morto, como o desvio de água do Rio Jordão e a extração mineral na região. Entretanto, as secas prolongadas e a redução das chuvas, agravadas pelas mudanças climáticas, estão entre os problemas mais graves.

O Mar Morto perde cerca de 1,2 metro de nível de água por ano e já encolheu aproximadamente um terço nos últimos 50 anos. Um estudo recente identificou o surgimento de crateras nas margens da região, formadas pelo colapso do solo após a dissolução de camadas subterrâneas de sal.

Algumas dessas áreas podem ceder repentinamente. O fenômeno aumentou o temor de que uma deterioração ainda maior do lago possa provocar tragédias ambientais e econômicas. Por causa do risco de desabamento, praias e estruturas turísticas foram abandonadas.

Considerado o ponto mais baixo da Terra, o Mar Morto tem margens situadas cerca de 430 metros abaixo do nível do mar. O lago fica entre Israel e Jordânia e é conhecido pela altíssima salinidade, que permite que pessoas flutuem facilmente sobre a água.

Em meio ao agravamento do problema, governos e especialistas discutem diferentes propostas para tentar salvar o Mar Morto. Grande parte delas, porém, ainda é considerada insuficiente.

Os conflitos e tensões políticas no Oriente Médio dificultam a cooperação entre Israel, Jordânia e territórios palestinos. Um acordo é essencial para qualquer grande projeto de recuperação ambiental na região.

Uma das propostas que mais avançou prevê o bombeamento de água do Mar Vermelho até o Mar Morto, além da construção de uma usina de dessalinização na Jordânia. O plano buscava tanto reduzir a queda do nível da água quanto ampliar o abastecimento hídrico da região.

Entretanto, cientistas alertaram que a mistura das águas poderia alterar drasticamente o ecossistema do Mar Morto. Além das preocupações ambientais, o projeto enfrentou obstáculos financeiros por causa dos custos bilionários.

A Jordânia acabou abandonando a proposta e passou a buscar alternativas, como a restauração de parte do fluxo do Rio Jordão. Porém, essa medida também é complexa, já que poderia afetar o abastecimento de áreas extremamente áridas da região.

Outra medida defendida é a redução da retirada de água pelas empresas de mineração que atuam no Mar Morto. Essa se tornou uma das principais críticas de órgãos ambientais e ativistas.

Em entrevista à CNN, Meirav Abadi, consultora jurídica da União Israelense para a Defesa do Meio Ambiente, afirmou que as indústrias lucram com a exploração da região. Por isso, "deveriam pegar parte desse dinheiro e devolvê-lo à água para garantir que tenhamos o Mar Morto para sempre".

Atualmente, autoridades locais vêm reforçando publicamente a gravidade da situação. O Ministério do Meio Ambiente da Jordânia afirmou que "a situação ambiental no Mar Morto é perigosa" e declarou que tenta impedir o esgotamento daquele que é considerado um patrimônio global.

Já o governo israelense criou grupos para discutir novas regras ambientais e econômicas para a exploração mineral da região. O objetivo é reduzir os impactos ambientais negativos e preservar a área nos próximos anos, especialmente com o fim de concessões minerais previsto para 2030.