SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), mirou nesta terça-feira (2) um suposto esquema de fraude a licitações em cidades da região metropolitana da capital paulista e do interior de São Paulo.
Batizada de Operação Cátedra, as diligências foram deflagradas conjuntamente com a Polícia Militar e envolveram o cumprimento de mandados de busca e apreensão em São Bernardo do Campo e em Santos, no litoral paulista. Entre as apreensões estão dispositivos eletrônicos, documentos e outros itens.
Segundo as investigações, o mesmo grupo levava a um procedimento licitatório mais de um CNPJ para fingir que as empresas estavam disputando preços umas com as outras; na verdade, segundo o MP-SP, isso nunca chegou a ocorrer.
A decisão que autorizou a ação desta terça determinou também o sequestro e bloqueio de bens em valores de até R$ 41 milhões. Além da alegada fraude, o caso também é investigado como corrupção e lavagem de dinheiro.
Um dos alvos foi a Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e o seu ex-diretor, Rodrigo Gago, suspeito de receber propina do esquema. A instituição de ensino é vinculada ao município e, segundo as investigações, favoreceu empresas ligadas ao esquema em contratações que chegam a R$ 6 milhões.
A faculdade declarou em nota à Folha de S.Paulo que presta "toda a colaboração solicitada pelas autoridades competentes, em estrita observância aos deveres legais e institucionais que lhe cabem" e que "não é parte na investigação e não teve acesso ao teor dos autos, uma vez que o procedimento tramita sob sigilo".
"Em razão dessa circunstância, a instituição desconhece o objeto específico da apuração e não possui informações sobre eventual abrangência ou foco investigativo", disse a instituição. A Folha de S.Paulo ligou duas vezes para o escritório de Gago nesta terça, mas ninguém atendeu.
O MP-SP não deu mais detalhes sobre o caso, mas afirmou em nota que uma investigação anterior semelhante à desta terça levou a Promotoria a instaurar uma ação penal contra uma "organização criminosa que se valia de diversas empresas para simular a concorrência em certames milionários"..