RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito sobre Amanda Maria Souza de Oliveira, 37, e a indiciou por estelionato no caso em que ela é suspeita de ter fingido ser uma menina de 12 anos para obter abrigo e ajuda de uma família em Joinville, no norte do estado.
A investigação foi finalizada pela 6ª Delegacia de Polícia de Joinville e encaminhada ao Poder Judiciário. Com o envio dos autos, caberá agora ao Ministério Público de Santa Catarina decidir se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso.
Segundo o Ministério Público, a conclusão do inquérito chegou nesta sexta-feira (5) à promotora responsável. O material será analisado para a adoção das providências cabíveis.
O advogado Rafael Luiz Siewert, responsável pela defesa de Amanda, diz ter identificado elementos que justificaram o pedido de realização de exame de sanidade mental, acolhido pela Justiça.
Em nota, ele afirmou que aguarda a conclusão da perícia técnica para a adoção das medidas processuais cabíveis e disse que não fará comentários sobre o mérito do caso, em respeito ao andamento das investigações e aos direitos da investigada.
Amanda foi presa após conseguir abrigo por 14 meses em uma casa localizada no distrito de Pirabeiraba, em Joinville. Ela passou a ser tratada como uma filha adotiva depois de alegar ter 12 anos e ter sofrido abusos no Pará, onde dizia ter morado.
Segundo a polícia, a mulher usava o nome de Gabriele e justificava a aparência física alegando ser autista. Também dizia que havia sido forçada a usar hormônios durante a infância.
- Como fui enganada por mulher que dizia ser adolescente de 12 anos: 'Dei carinho, afeto, comida. Não tinha como desconfiar'
Após audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.
O caso de Joinville é o episódio mais recente de uma série de ocorrências envolvendo Amanda em diferentes estados do país.
Como mostrou a Folha, a mulher foi alvo de inquéritos e processos por falsidade ideológica em ao menos cinco estados. Em todos os casos, Amanda Maria Souza de Oliveira teria enganado outras pessoas afirmando ser uma criança, sempre utilizando diferentes nomes. Apresentou-se como Gabriele, Ana Clara, Maria Eduarda, Beatriz e Maria Clara.
Os processos e inquéritos tramitaram ou ainda tramitam nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e em outras duas cidades de Santa Catarina.
O caso mais antigo aconteceu em Minas Gerais, na cidade de Teófilo Otoni, onde Amanda foi acolhida por um homem após afirmar ter 13 anos e se chamar Beatriz.
Em junho de 2023, Amanda foi presa em flagrante em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Na ocasião, a polícia foi acionada por duas mulheres para investigar denúncias de exploração sexual e cárcere privado relatados por uma menina que se apresentava como Maria Eduarda e dizia ser natural de Fortaleza.
As duas mulheres foram enganadas por cerca de um mês por Amanda, que alegou viver em situação de vulnerabilidade. Compadecidas, as vítimas alugaram uma casa, compraram roupas, alimentos e itens pessoais para a falsa criança. Elas relataram gastos de cerca de R$ 2.000.
Ao investigar o caso, a polícia identificou que Maria Eduarda, na verdade, se chamava Amanda, que na época tinha 35 anos e já havia sido alvo de inquéritos com relatos semelhantes em Minas Gerais e São Paulo.
A polícia a prendeu na ocasião por estelionato, falsidade ideológica e difamação, sendo posteriormente liberada. O Ministério Público propôs um acordo de não persecução penal.
Amanda também respondeu por falsidade ideológica em processos nas comarcas de Jundiaí (SP), Goiânia (GO), Florianópolis (SC) e Chapecó (SC).