SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O quarto Fórum Ambição 2030, maior evento de sustentabilidade corporativa do país, organizado pelo Pacto Global da ONU ? Rede Brasil, reuniu nesta terça-feira (2), no Masp, em São Paulo, representantes do setor público, empresas e organizações da sociedade civil. Com o tema "A Década da Implementação: Como as Empresas Estão Redesenhando o Futuro do Brasil", o evento debateu o papel do setor empresarial no avanço das metas da Agenda 2030 da ONU.
A Agenda 2030 é um plano adotado pela ONU em 2015 que reúne os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), conjunto de metas globais nas áreas social, econômica e ambiental a serem cumpridas até 2030.
Segundo Mônica Gregori, diretora de impacto da organização, o encontro é momento de avaliar avanços e acelerar a implementação desses objetivos.
"Faltam apenas quatro anos e precisamos acelerar, ainda temos muito trabalho pela frente. A importância do Fórum é mostrar que ao integrar sustentabilidade, responsabilidade, integridade e impacto social à agenda de negócios, é possível prosperar e trazer resultados concretos", afirma.
Para Gregori, sustentabilidade e estratégia corporativa são agendas indissociáveis. O desafio, segundo ela, é ampliar essa compreensão dentro do setor empresarial.
"Quando a sustentabilidade ocupa o centro da estratégia de negócios, a empresa reduz riscos, amplia oportunidades e fortalece sua rentabilidade. Então, não é um ou outro, tem que ser um e outro."
A abertura do evento contou com a participação de Guilherme Xavier, diretor-executivo do Pacto Global da ONU ? Rede Brasil, e Ana Paula Carracedo, presidente-executiva da organização. Ao longo do dia, os debates abordaram temas como economia circular e verde, rastreabilidade nas cadeias produtivas e financiamento da transição sustentável.
"Esse é um evento liderado pelo setor privado, mas com engajamento do setor público. Eles precisam caminhar juntos para que possamos ter condições reais de financiamento e transparência", diz Guilherme Xavier.
A organização tornou público, durante o evento, o Relatório Ambição 2030, que reúne indicadores de adesão, metas e impacto mensurados em 2025 pela organização. O estudo aponta que as iniciativas do Pacto Global da ONU no Brasil impactam pelo menos 2 milhões de trabalhadores no país.
Quase 390 organizações estão formalmente comprometidas com a agenda da ONU, o que representa crescimento de 11% em relação a 2024, além de mais de 2.000 metas públicas declaradas e 751 cartas de compromisso assinadas.
O "Movimento Elas Lideram 2030", focado na igualdade de gênero em posições de alta liderança, é o maior movimento da instituição, com 145 corporações signatárias e 42% de mulheres ocupando esse espaço.
O "Movimento Raça é Prioridade", que estimula as empresas a aumentar o número de cargos de liderança ocupados por negros, indígenas, quilombolas ou pertencentes a outro grupo étnico minoritário, reportou média de 23,6% de pessoas negras e indígenas na liderança.
O relatório também apontou limitações no avanço de alguma metas. Apenas 23% das empresas garantem salário digno para seus funcionários. Em relação a corrupção no ambiente empresarial, apenas 3% das empresas conseguiram treinar integralmente sua cadeia de valor.
Rubens Filho, gerente-executivo de meio ambiente do Pacto, afirmou que mais de 80% das empresas integrantes da rede elaboraram inventários de emissões de gases de efeito estufa ?ou seja, contabilizaram a quantidade de gás carbono e poluentes que emitem, e definiram metas de descarbonização alinhadas às diretrizes internacionais.
O número faz parte do "Movimento Ambição Net Zero", que estabelece uma meta de compromissos com a agenda climática no país e conta com a adesão de 129 empresas. A descarbonização é uma das maiores frentes de atuação.
Segundo Rubens, apesar dos avanços, alguns setores ainda enfrentam dificuldades em incorporar a sustentabilidade às decisões econômicas e estratégicas de uma empresa e não tratar apenas como uma pauta ambiental.
"É o caso da pecuária e de parte do setor energético, por exemplo. Muitas enxergam a descarbonização como uma pauta restrita à sustentabilidade e não como um processo natural da nova economia."
A adaptação à transição energética, segundo Rubens, tem se tornado um fator cada vez mais relevante nas organizações.
Segundo ele, instituições que não avançarem nesse processo tendem a enfrentar dificuldades para acessar linhas de financiamento sustentável, como os créditos de carbono ?mecanismo de compensação ambiental adotado por empresas? e atender a critérios exigidos por investidores e rankings internacionais de sustentabilidade.