SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo está desenvolvendo projeto de parceria público-privada para a construção de arena multiuso com capacidade de 7 mil a 20 mil espectadores, quase o dobro do ginásio do complexo do Ibirapuera. A proposta em elaboração abrange terreno de subprefeitura cobiçado há décadas pelo setor privado, junto à marginal Pinheiros, na zona oeste.
O projeto entrou em etapa de PPMI (Procedimento Preliminar de Manifestação de Interesse) nesta segunda-feira (8), a qual inclui ainda implantação de "hub de inovação", obra de edifício-garagem, instalação de passarela sobre o rio Pinheiros e gestão da praça Victor Civita. O chamamento busca contribuições da iniciativa privada, até 8 de julho.
Com 53.795 m² ao todo, o espaço abrange a sede da Subprefeitura de Pinheiros e instalações da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da Unidade de Vigilância em Saúde Lapa/Pinheiros.
A localização valorizada levou diversos prefeitos a cogitar permuta ou venda ao longo de anos, como Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (então PFL, hoje PSD) e João Doria (então PSDB).
Em nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirmou que o edital "trata da apresentação de subsídios para a implantação, operação, manutenção e exploração comercial de hub de inovação, arena esportiva e edifício-garagem".
Também respondeu que os custos da obra e a destinação dos órgãos públicos que precisariam deixar o local serão definidos após a análise das contribuições.
A gestão Nunes chegou a apresentar projeto semelhante para o Parque das Bicicletas, em Moema, na zona sul, em 2023, com a chamada "Arena Rei Pelé". Foi suspenso em 2024, contudo, após questionamentos do TCM (Tribunal de Contas do Município) e mobilização de associações de bairro. Em nota, a prefeitura negou desistência e disse que a proposta passa por ajustes.
Nas justificativas da PPMI de Pinheiros, a prefeitura destaca a localização "estratégica" e em "região com intensa atividade empresarial e próxima a relevantes eixos de transporte urbano". A área está a menos de 300 metros da estação e do terminal Pinheiros (de metrô, trem e ônibus) e a cerca de 700 metros da avenida Brigadeiro Faria Lima.
A gestão aponta também que os lotes têm "baixo grau de aproveitamento social e econômico". No caso da arena, indica ao menos 30 mil m² de área construída, mais da metade do tamanho do estádio do Pacaembu, além de mínimo de 20 dias com eventos públicos por ano.
Por ora, não há definição sobre modelo de parceria, tempo de contrato e quem empregará os recursos necessários (se ente público ou privado). "Os subsídios colhidos auxiliarão a administração pública municipal na identificação de modelos jurídicos, econômico-financeiros e operacionais que viabilizem a implantação e operação", justifica o edital.
Há a previsão também de edifício-garagem de 6 mil m² e hub digital de 8 mil m² -com coworking, salas de reunião, auditórios, áreas de convivência e outros espaços voltados em parte a temáticas de cidades sustentáveis, mobilidade inteligente e tecnologia.
Além disso, o projeto poderá incluir outros equipamentos e edificações em geral. Deverá incluir, ainda, a praça Victor Civita, onde antigo incinerador recebe atividades voltadas a negócios sustentáveis. O local está passando por reforma e ampliação, de R$ 10,8 milhões.