BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criou nesta quarta-feira (10) um parque nacional e expandiu outros dois durante cerimônia no Palácio do Planalto sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data é celebrada todos os anos em 5 de junho.
O petista também destinou R$ 2 bilhões para o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e para o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) realizarem ações na bacia do rio Doce. A área foi contaminada com cerca de 40 milhões de rejeitos de mineração após o rompimento da barragem de Mariana (MG), em 2015.
O novo parque nacional criado por Lula é o do Tanaru, em Rondônia. Além disso, o petista criou uma área de proteção ambiental no Pará, relacionada ao rio Tocantins. As áreas ampliadas foram as da serra das Confusões e de Sete Cidades, ambas no Piauí.
Em seu discurso, o presidente mencionou que em alguns temas relacionados ao meio ambiente, como demarcações de terras indígenas e quilombolas, é necessário que o governo aja de forma mais firme. "Em determinadas coisas é preciso radicalizar, se não a gente não faz."
Lula também defendeu que áreas de preservação tenham espaços de visitação. "Temos que criar condições de fazer com que essas reservas florestais possam gerar dinheiro para manter as pessoas que tomam conta delas e atrair muita gente."
O presidente afirmou ainda que o governo brasileiro está preparado antecipadamente para enfrentar um possível El Niño.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a gestão prepara ações para mitigar os impactos do fenômeno e evitar que incêndios florestais se espalhem pelo país durante a seca --o que pode exigir a abertura de crédito extraordinário.
"Pela primeira vez, a gente está saindo na frente, inclusive na luta para combater as possíveis queimadas que vão vir, porque a perspectiva é de que o El Niño vai ser muito violento e que a gente pode ter mais desastre climático."
Os ministros do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, acompanharam a assinatura dos atos. A ex-ministra Marina Silva, que deixou Capobianco no cargo para concorrer a uma vaga no Senado por São Paulo, esteve presente.
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e o governador piauiense, Rafael Fonteles (PT), também participaram da cerimônia.
Lula assinou um decreto que tem como objetivo simplificar os repasses do Fundo Nacional do Meio Ambiente para estados e municípios, por exemplo, para ações de prevenção e combate a incêndios florestais.
Segundo a rede de monitoramento MapBiomas, o desmatamento no Brasil caiu no ano passado para o menor nível desde 2019. O registro ficou, pela primeira vez, abaixo da barreira de 1 milhão de hectares de vegetação perdida.
Também foi assinado um contrato de doação de R$ 270 milhões do Reino Unido ao Fundo Amazônia e oficializado o repasse de R$ 393 milhões do fundo para projetos do Restaura Amazônia e outros R$ 834 milhões do Fundo Clima para iniciativas de restauração da vegetação nativa.
O presidente ainda sancionou a Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga e lançou o Recaatingar, programa destinado a criar diretrizes de recuperação de áreas degradadas no bioma.
O aporte inicial na iniciativa será de R$ 60 milhões, vindos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do BNB (Banco do Nordeste).