PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Amanda Maria Souza de Oliveira, que responde na Justiça por estelionato e falsa identidade após se passar por uma criança de 12 anos, completou 38 anos nesta quarta-feira (10) na prisão em Joinville (SC).

Nascida em 10 de junho de 1988, Amanda está detida desde o dia 2 de junho. Ela deve permanecer no Presídio Feminino Regional de Joinville ao menos até a realização dos exames de sanidade mental, marcados para o dia 26 de junho. Até lá, o processo, cuja denúncia foi acolhida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina na terça-feira (9), permanece suspenso.

O advogado Rafael Luiz Siewert, responsável pela defesa de Amanda, disse em nota que recebeu com "serenidade" a denúncia apresentada pelo Ministério Público e afirmou que aguarda a conclusão da perícia médica para definir as medidas judiciais cabíveis.

A investigação teve início após uma tia adotiva estranhar o comportamento de Amanda e encontrar reportagens sobre um episódio semelhante ocorrido em Nova Iguaçu (RJ), em 2023. Segundo a Polícia Civil, ela percebeu semelhanças físicas e também nas histórias apresentadas por Amanda.

A mulher alertou o pai adotivo, que procurou a polícia e registrou a denúncia no dia 29 de maio, uma sexta-feira.

Após a apuração inicial, o pai adotivo foi chamado de volta à delegacia na terça-feira seguinte, dia em que Amanda foi presa.

"Quando abrimos as outras reportagens e o nosso sistema interno de investigação da polícia e mostramos as fotos, ele disse: 'É essa mesma. Absoluta certeza, é essa mesma'", disse o Rodrigo Bueno Gusso.

Policiais foram até a casa da família a pedido do pai adotivo, e, segundo o delegado, houve uma resistência inicial da esposa dele, que acreditava se tratar de um mal-entendido, só autorizando a entrada após ver fotos e reportagens.

"Quando entramos, eu chamei pelo nome dela [Amanda] e, prontamente, ela atendeu. Dei voz de prisão, e já na viatura e na delegacia ela falou", disse Rodrigo.

O delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, disse que Amanda passou a conviver com a família em Joinville ao pedir ajuda em uma comunidade evangélica, afirmando que buscava uma oportunidade de trabalho.

"No primeiro momento, ela não disse ao pastor que era menor de idade. Só foi falar isso depois que ele arranjou um serviço para ela, e ela teria passado mal nesse emprego", disse o delegado.

Após esse suposto problema de saúde e a nova idade informada por Amanda, a comunidade se mobilizou e encontrou uma família para acolhê-la.

Ao todo, ela conviveu por 14 meses com eles sob o nome falso de Gabriele, ganhando uma festa de aniversário de 12 anos, morando em um quarto com brinquedos e recebendo tratamento com medicamentos para emagrecimento pago pela família.

A polícia disse que Amanda afirmou, em depoimento, ter aplicado golpes em Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Durante a investigação, a Polícia Civil também encontrou registros policiais no Ceará, estado de origem dela, além da confirmação de uma ocorrência no Rio Grande do Sul.

O caso de Joinville é o segundo confirmado em Santa Catarina. Amanda também teve passagem pela polícia em Chapecó, e as autoridades apuram um possível caso em São José, na região metropolitana de Florianópolis.

Em todos os casos dizia ter entre 11 e 13 anos, algum tipo de problema médico e sofrido diferentes tipos de maus-tratos, incluindo agressões físicas, abuso sexual e uso forçado de hormônios, o que, segundo ela, explicaria sua aparência. Essas histórias eram usadas para justificar a fuga de um estado para outro.

Segundo o delegado, ela costumava fugir quando percebia que sua falsa identidade estava prestes a ser descoberta.

O delegado também informou que um vídeo divulgado na imprensa, no qual Amanda aparece prestando depoimento, não tem relação com o caso de Joinville e não foi gravado na delegacia responsável pela investigação.