SÃO PAULO, SP (FOLAHAPRESS - A direção do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) confirmou, nesta quinta-feira (11), que dois servidores foram contaminados com tecnécio-99 -isótopo radioativo e o elemento mais utilizado na medicina nuclear. O caso ocorreu durante a retirada de sensores de uma autoclave (equipamento de esterelização) utilizada no processo produtivo do material, no dia 29 de maio, em São Paulo.

"A apuração técnica realizada por sua área especializada de Proteção Radiológica demonstrou que o evento ocorrido foi de pequena magnitude, sem relevância do ponto de vista da saúde ocupacional e sem potencial para causar danos aos trabalhadores envolvidos", diz trecho da nota do Ipen.

Segundo o instituto, a presença do tecnécio-99 foi atestada nas mãos e nos sapatos dos colaboradores, que foram submetidos a descontaminação e demais protocolos de segurança. Um setor da instituição está isolada até agora devido aos riscos radiológicos.

"Do ponto de vista nosso de radioproteção e segurança, é uma coisa normal, que ocorre com alguma frequência. Pequenas contaminações podem ocorrer quando se mexe com material radioativo aberto", afirma Venerval Rodrigues, diretor de segurança do Ipen.

O instituto foi alvo de denúncia anônima na Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e de cobrança pública do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e da Associação dos Servidores do Ipen (Assipen), que emitiram nota conjunta pedindo explicação sobre o ocorrido.

Em resposta, o Ipen disse à Folha que enviou emitiu o relatório e encaminhou à CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) e à ANSN, descartando riscos maiores de contaminação radioativa na sede, localizada nas dependências da USP (Universidade de São paulo).

"Não foi constatado nenhuma incorporação. A descontração estava livre, a dose de radiação foi de 100 a 700 contagens por segundo, que é muito baixo, em termos de dose de 13 mil. Tomamos todos os cuidados para descontaminar, e isso foi feito", acrescentou Rodrigues.

Isolda Costa, diretora do Ipen, afirma que as informações não oficiais divulgadas sobre o caso podem provocar diversos prejuízos às atividades da instituição que produz 85% dos radiofármacos utilizados no Brasil.

Ela também alega que a denúncia anônima não se baseou em evidências objetivas, documentação formal e avaliações especializadas.

"Isso aconteceu dentro da área controlada, que foi todo determinada para isso. Atividade baixíssima, inclusive valores não considerado radiológicos. E, na realidade, alguém internamente deve ter passado uma informação não correta, ou seja, uma falsa informação. Então gerou essa coisa alarmista", frisou.

O tecnécio-99 é gerado a partir do decaimento do molibdênio-99 (??Mo). É um metal de transição e foi o primeiro elemento a ser produzido artificialmente na história da humanidade. Suas propriedades físicas e químicas fazem dele a escolha ideal para diagnósticos médicos, como em exames de tumores e desenvolvimento de imagens de diversos órgãos.