SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Estudantes e professores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) decidiram encerrar a greve que paralisava atividades. A decisão foi tomada em assembleias realizadas nesta quinta-feira (11), marcando o fim de um movimento que durou cerca de 25 dias.
Com a decisão, resta apenas a Unesp (Universidade Estadual Paulista) com mobilizações estudantis em andamento.
A paralisação dos docentes foi encerrada após a aprovação de uma nova proposta de reajuste salarial apresentada pelo Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) ao Fórum das Seis, que reúne entidades representativas de educadores, servidores e alunos das universidades estaduais. O índice acordado foi de 3,92%.
Já os estudantes aprovaram o encerramento da greve após avaliarem que parte significativa das reivindicações apresentadas ao longo das negociações com a reitoria havia sido contemplada. A decisão ainda deverá ser ratificada pelas assembleias locais dos cursos, mas a expectativa é de retomada das atividades acadêmicas já na próxima segunda-feira (15).
O fim da mobilização ocorre poucos dias depois de os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) também terem decidido encerrar uma greve que durou 54 dias.
Entre as principais pautas dos estudantes da Unicamp estavam ampliação das políticas de permanência estudantil, melhorias na moradia universitária, aumento dos auxílios e investimentos em infraestrutura acadêmica. Durante as negociações, a reitoria apresentou propostas para discutir mudanças na distribuição das bolsas de permanência e avançar em projetos de moradia estudantil, especialmente no campus de Limeira.
Segundo a administração da universidade, algumas demandas específicas continuarão sendo discutidas com unidades e institutos. Um dos exemplos é o Instituto de Artes, em que estudantes reivindicavam a reconstrução do Paviartes, um barracão utilizado para aulas. A reitoria afirma que as obras de reforma do espaço devem começar ainda neste mês.
O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, afirmou que as manifestações fazem parte da vida universitária e classificou o movimento como legítimo. Segundo ele, embora nem todas as reivindicações possam ser atendidas em razão das limitações orçamentárias, as mobilizações ajudam a apontar demandas importantes para a gestão da universidade.
A greve na Unicamp teve início em meio às discussões sobre permanência estudantil e orçamento das universidades estaduais paulistas. Ao longo das últimas semanas, o movimento ganhou força com a adesão de diferentes cursos e culminou na invasão a um dos principais prédios administrativos da instituição.
Com o encerramento aprovado por estudantes e docentes, a universidade deve agora discutir a normalização do calendário acadêmico e a reposição das atividades afetadas pela paralisação.