LIMEIRA, SP (FOLHAPRESS) - O autônomo Rian Rodrigues, 20, só não presenciou a tragédia envolvendo a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, porque cancelou o salto que havia marcado com o grupo Entre Cordas na sexta-feira (12), um dia antes do acidente.

Seria a terceira vez em que pularia da chamada Ponte do Esqueleto, de onde Maria Eduarda foi arremessada sem equipamentos de proteção. Ela caiu em queda livre de uma altura que beira os 40 metros e morreu ainda no local.

Três pessoas envolvidas com o caso estão presas sob a suspeita de homicídio doloso (com intenção). A defesa deles diz que o caso se trata de um homicídio culposo (sem intenção) e que o grupo acionou o socorro e prestou o apoio possível após a queda.

Rian mora em Limeira desde criança e conversou com a Folha na tarde desta segunda-feira (15), enquanto trabalhava em um supermercado local. Sempre teve interesse por esportes radicais: além do rope jump, por exemplo, ele também já saltou de paraquedas em Boituva.

Havia agendado um novo salto da Ponte do Esqueleto em maio, na última vez em que foi ao local para praticar a modalidade. A ocasião anterior havia sido pouco antes, em meados de março. Segundo ele, segurança nunca foi um problema.

"Eles [os instrutores] conferiram tudo naquela vez. A corda, o equipamento, tudo. Puxaram tudo certinho e foi uma experiência tranquila. Até fiz uma avaliação positiva no Google depois", afirmou.

Em ambas as ocasiões, ele foi até a ponte a contragosto de familiares, para os quais o salto é um esporte perigoso. "Minhas tias e minha irmã não queriam deixar. Mas, de qualquer forma, eu fui."

São alguns segundos de adrenalina que, para ele, valeram a pena. "Você fica um tempo se preparando, vê algumas pessoas pulando na sua frente e depois vai. Mas é muito rápido", declarou.

Quando soube da morte de Maria Eduarda, porém, ficou sem reação. "Fiquei em choque. Até porque realmente parecia ser uma empresa bem responsável, séria. Aí saiu a notícia de que eles não tinham nem CNPJ. Foi um pouco frustrante", disse.

Maria Eduarda foi enterrada no domingo (14), em Jandira. O local de onde ela foi arremessada, a Ponte do Esqueleto, é um ponto tradicional de saltos da cidade de Limeira e atrai turistas de toda a região.

- Ponte onde jovem morreu em Limeira (SP) tem fácil acesso e nenhuma segurança

O local é conhecido mesmo entre aqueles que não praticam o esporte.

"Eu nunca presenciei, mas a gente sempre sabe que tinha a prática desse esporte ali", afirmou à Folha o frentista Gilberto Camargo, 60, que mora há mais de quatro décadas em Limeira.

Ele mesmo não conhece a Ponte do Esqueleto. Mas vários de seus amigos já foram até o local para acompanhar os saltos.

Gilberto estava trabalhando quando soube da morte de Maria Eduarda, ainda no sábado. "A gente ficou abalado. Como é que vai esquecer uma corda? Essa é a pergunta que não só todo limeirense tem feito, mas o mundo inteiro", disse.