SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A SPU (Secretaria do Patrimônio da União) indicou a possibilidade de doação ou cessão da ponte do Esqueleto à Prefeitura de Limeira em reunião na tarde de segunda-feira (15). Uma jovem de 21 anos morreu no local no sábado (13) após ser lançada sem equipamento de segurança por instrutores de "rope jump" (salto com corda).
A alternativa foi apresentada pelo superintendente da SPU no estado, Celso Santos Carvalho, em reunião com autoridades federais e locais. Foi recusada, contudo, pelo município do interior de São Paulo.
O prefeito de Limeira, Murilo Félix (Podemos), respondeu que não haveria interesse público em receber a estrutura e que a gestão teria outras prioridades. Também defendeu a atuação da Polícia Federal no local.
Embora tenha o acesso proibido, a ponte é frequentada por praticantes de esportes radicais e ciclistas há anos. Ao menos três grupos realizam saltos de "rope jump" no local, especialmente em fins de semana. A empresa em que atuavam os instrutores indiciados cobrava R$ 180 por pessoa.
Na reunião, autoridades locais informaram sobre a identificação de atividades com saltos anunciadas para o local ao menos até meados de setembro. As demais empresas com atuação na região têm postado em redes sociais sobre os procedimentos de segurança adotados e compartilhado depoimentos de clientes.
Ponte onde jovem morreu em Limeira (SP) tem fácil acesso e nenhuma segurança A estrutura está localizada no limite entre Limeira com Cordeirópolis. As prefeituras de ambos os municípios defendem a derrubada da ponte, que é uma das soluções definitivas em discussão pela SPU, secretaria vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
Por ora, o governo federal anunciou que instalará barreiras físicas de acesso e placas de aviso de que se trata de propriedade da União e que a entrada é proibida. Já a prefeitura de Limeira se comprometeu a reabrir a vala que havia sido feita a pedido da União em 2024, para dificultar o acesso. A vala foi fechada por terceiros.
A ponte foi herdada pela União após a extinção de estatais ferroviárias há cerca de 20 anos. O governo diz que a transferência da estrutura pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) à SPU foi oficializada em maio.
Há histórico de acidentes graves no local. No ano passado, duas pessoas ficaram feridas durante a prática de "rope jump". Em 2024, uma ciclista morreu ao cair da ponte.
RELEMBRE O CASO
Pessoas que estavam no local registraram o momento em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, foi lançada. Ela não estava presa a uma corda ou outro equipamento de segurança.
Os instrutores da empresa Entre Cordas Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32, Vitor de Freitas Gonçalves, 27, e Maicon Fernandes Cintra, 42, foram indiciados por homicídio com dolo eventual. A conversão da prisão em preventiva ocorreu no domingo (14).
O advogado do grupo diz que os instrutores prestaram os primeiros socorros, além de chamar o caso de uma "tragédia".
Ao todo, seis pessoas foram conduzidas à delegacia. Três estão indiciadas, enquanto as demais constam como investigadas.
Conforme o boletim de ocorrência, dois homens fugiram para uma área de mata quando policiais chegaram ao local. Foi necessário o acionamento de reforços com viaturas e helicóptero.
Outros dois investigados trocaram de roupas antes da chegada dos policiais, mas foram identificados. O corpo de Maria Eduarda foi enterrado no domingo em Jandira, na Grande São Paulo.
O rope jumping consiste em saltos de grandes alturas com o praticante preso a cordas que produzem um movimento de balanço após a queda. Também conhecido como "pêndulo humano", difere do salto com bungee jump, que utiliza uma corda elástica que provoca rebotes.
A ponte do Esqueleto é um conhecido ponto de saltos na região. Em audiência pública no ano passado, empresário do setor disse a vereadores de Limeira que cerca de 500 pessoas participam de atividades no local mensalmente.