SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A jornalista Adriana Catarina Ramos de Oliveira, 62, assinou acordo com o Ministério Público de São Paulo para evitar ser processada por injúria em razão de ofensas homofóbicas proferidas contra quatro homens gays no ano passado.

O acordo foi homologado pela Justiça em 3 de junho e obriga a jornalista a pagar R$ 15 mil a cada uma das vítimas, num total de R$ 60 mil. A defesa dela disse que não vai se manifestar.

Além da indenização, ela também deverá assistir a dois cursos sobre o combate à homofobia, um online e um presencial, e dizer em vídeo aquilo que aprendeu sobre cada uma das aulas.

Também terá de participar de um grupo reflexivo no curso de psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) ou da Universidade Presbiteriana Mackenzie "com a finalidade de conscientização e compreensão sobre a conduta imputada".

Outra obrigação prevista no acordo envolve a doação de ao menos R$ 60 mil em diferentes kits à Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo. O Ministério Público exige três tipos de conjuntos: um com itens de higiene, outro com material escolar e um terceiro com perucas.

A assinatura do acordo significa, na prática, que Adriana confessa ter cometido o crime de injúria. Eventual descumprimento pode levar o Ministério Público a reabrir o caso e denunciá-la.

Os insultos ocorreram em duas ocasiões. A primeira foi em 14 de julho no shopping Iguatemi, na zona sul de São Paulo, e foi registrada em vídeo. Adriana foi flagrada naquela ocasião chamando um homem de "pobre" e de "bicha nojenta" numa cafeteria do estabelecimento.

Um segurança do shopping chegou a intervir, mas os xingamentos continuaram. "Sinceramente, o que é isso? Você está pensando que a Polícia Militar é o quê? Brincadeira de criança? Segurança particular de boiola?", disse a jornalista.

Dias depois, em 16 de junho, no momento em que a jornalista cruzou três homens no saguão do prédio onde morava em Higienópolis.

Vídeos gravados pelos ofendidos mostram a agressora chamando-os de "boiolas" e "gaiola das loucas".

Adriana chegou a ser presa após o episódio no shopping Iguatemi, mas acabou solta em audiência de custódia.

A jornalista enfrenta problemas psiquiátricos e trata um transtorno de bipolaridade há mais de 20 anos.

Já foi internada em diferentes ocasiões. A última delas durou cinco meses e ocorreu logo após os incidentes no shopping e no saguão de seu condomínio.

Ela também foi alvo de um processo de interdição depois do episódio e possui hoje uma curadora profissional que administra seus recursos financeiros.

Adriana nasceu em Campinas, interior de São Paulo. Formou-se em jornalismo pela PUC-Campinas e fez carreira na televisão, passando por emissoras como a Globo, TV Cultura, Record e outras.