O ministro destacou que a comunicação também é capilarizada por meio de ministérios que têm políticas públicas específicas, como Saúde, Povos Indígenas e de Direitos Humanos e Cidadania, que mantêm canais diretos e escuta ativa com atores e lideranças de comunidades locais.
Planos de contingência
O governo federal alertou que a eficiência da tecnologia depende diretamente da organização, por meio de um plano de contingência ativo que seja conhecido pela população.
"Não podemos dar um alerta extremo a uma comunidade sem que aquela comunidade já tenha tido o mínimo contato com aquele tipo de serviço público."
A liderança local envolvendo prefeituras, escolas, igrejas, imprensa regional e comunicadores locais deve garantir que as rotas de fuga estejam devidamente sinalizadas e que os abrigos públicos estejam estruturados, antes que os desastres climáticos.
Já deve ter a sinalização daquela área que será atingida, a orientação do local mais seguro onde as pessoas devem se abrigar. O apoio institucional, não só das pessoas, mas também dos objetos no local para retirá-los, completou o ministro.
Defesa Civil Alerta
O ministro destacou o Defesa Civil Alerta, ferramenta que utiliza o sistema de transmissão via telefonia celular para o envio de alertas de emergência, com o objetivo de prevenir e mitigar os impactos causados por desastres.
O sistema opera de forma independente de cadastros prévios do cidadão ou até mesmo do pagamento da conta telefônica. Se é uma área de risco, se vai acontecer algum evento, a gente se utiliza da Defesa Civil Alerta para informá-los.
O conteúdo dos alertas é de responsabilidade da defesas civis de estados e municípios e aparece na tela do smartphone.
O telefone das pessoas vai travar. Mesmo que esteja assistindo a um filme no YouTube, o alerta vai chegar. Nós não dependemos de cadastramento nem de conta paga para a mensagem chegar ao cidadão, disse o ministro.
A classificação técnica estabelecida pela Defesa Civil do evento climático varia conforme o nível de gravidade e risco de ocorrências de desastres naturais e eventos climáticos extremos, como enchentes, deslizamentos de terras e desabamentos de construções. São eles:
- alerta severo: funciona como um primeiro aviso de alta relevância e é emitido quando há tempo hábil para que a população tome medidas preventivas e se prepare para deixar a área de risco se as condições piorarem;
- alerta extremo: é o comando definitivo de evacuação imediata do local e para que o cidadão se dirija ao abrigo mais próximo.
Durante a entrevista à emissoras de rádio, o ministro explicou que o acionamento da ferramenta deve seguir critérios rigorosos para evitar a banalização do canal.
O sistema Defesa Civil Alerta tem que ser utilizado em casos muito específicos. A gente não pode banalizá-lo. Ele não pode ser utilizado em todas as situações de eventos [climáticos].
Segundo o ministro, a tecnologia é complementar às já existentes, como as mensagens da Defesa Civil via SMS e os avisos que aparecem automaticamente na tela da TV por assinatura durante a programação.
Cultura do Risco
Por fim, o ministro convocou a sociedade civil e os entes públicos a consolidarem o que chamou de cultura do risco no Brasil, um esforço conjunto que envolve a atuação do poder público e do setor privado e a conscientização do cidadão.
O ministro defende que o risco de desastres naturais deve ser enxergado de forma antecipada, integrando as esferas local, regional e nacional, para mitigar o impacto de eventos extremos diante da imprevisibilidade e da velocidade com que os fenômenos climáticos têm se manifestado no país.
Uma das ferramentas práticas destacadas para a consolidação dessa mentalidade da cultura de risco é a realização periódica de exercícios simulados de evacuação.
Os municípios que estão em zonas de maior risco devem fazer a simulação para comunidade, criando a cultura de lidar com o risco. Se passarem dez anos sem ter problemas, beleza! Mas se acontecer, já está internalizado em cada cidadão [o protocolo].
Góes ressalta ainda que, quando a autoridade da defesa civil emitir um alerta na tela do celular seja ele Severo ou Extremo , a reação de busca por abrigo deve ser automática.
Se uma autoridade emite um alerta, tem que respeitar. Para isso, o cidadão tem que conhecer, conviver, tem que participar e aprender a lidar com aquilo, frisou o ministro.
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