SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A gestão do governador Tarcísio de Freitas anunciou nesta sexta-feira (19) regras mais rígidas para evitar o desabastecimento de água na região metropolitana de São Paulo.
A principal mudança é a separação das análises do Sistema Cantareira em relação ao SIM (Sistema Integrado Metropolitano), criando dois índices de acompanhamento, em vez da medição única aplicada atualmente.
O nível mais baixo será considerado para a recomendação do governo, para que a redução da pressão noturna seja ampliada para mais horas. Esse modelo é chamado de GDN (Gestão de Demanda Noturna) e tem sete faixas de restrição. Atualmente ele se encontra na terceira, o que significa que o bombeamento de água é interrompido por dez horas durante a noite.
Apesar da mudança na análise, neste momento, a previsão é que o GDN permaneça nessa mesma faixa até abril de 2027. Avaliações diárias poderão alterar essa previsão, segundo a secretária de Meio Ambiente, Natália Resende.
O Cantareira responde por cerca de 50% do sistema metropolitano e, nos últimos meses, tem recebido menos chuvas do que outros reservatórios, como o do Alto Tietê. Ele opera atualmente com 39% da sua capacidade, enquanto o SIM está na casa dos 50%.
No horizonte dos técnicos do governo está a mitigação dos efeitos do El Niño, fenômeno climático já confirmado para este ano e que, em São Paulo, pode provocar ondas de calor e irregularidades na distribuição de chuvas.
É também pela preocupação com os efeitos dos ciclos desse tipo que as análises passam a ser baseadas em uma série histórica de 15 anos. Essa base de dados substitui a referência anterior, que utilizava o comportamento hidrológico do ano de 2021. Os dados do período ampliado passam, portanto, a considerar informações de anos em que ocorreram El Niño e La Niña.
Independentemente desses fenômenos, já tem chovido menos no Cantareira. O sistema registrou 62% da média histórica de precipitação no último ciclo de chuvas, contra 90% verificado no anterior. Sob a regra de operação, a faixa de atuação do governo será determinada pela condição mais restritiva entre os dois índices.
Caso o monitoramento do Cantareira indique um nível mais crítico ao do SIM, por exemplo, o governo o adotará como gatilho para aplicar uma nova contingência.
COMO FUNCIONA A GESTÃO NOTURNA DE ÁGUA
As medidas operacionais de contenção de consumo estão vinculadas a sete faixas de atuação, sendo a GDN o instrumento aplicado nas situações de alerta intermediário.
A GDN consiste na redução da pressão nas redes de distribuição durante o período da noite e é acionada das faixas 2 a 6.
O tempo de redução de pressão aumenta conforme o grau de criticidade: são estabelecidas 8 horas de gestão na faixa 2, evoluindo para 10, 12, 14 e 16. Essa escala visa evitar o esgotamento dos reservatórios e eliminar a necessidade de rodízio, que permanece restrito à faixa 7 como medida de exceção.
A eficácia dessa estratégia é monitorada por dados de vazão e consumo.
O período de avaliação dessas medidas também mudou a cada 30 dias para a mudança de faixa, em substituição aos prazos anteriores de 7 ou 14 dias.