SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O médico Rodrigo Felipe Amparado foi preso preventivamente em Itaúna do Sul, no Noroeste do Paraná, suspeito de ameaçar e perseguir servidores públicos para manter privilégios dentro do hospital municipal.
A prisão foi realizada na quarta-feira, durante operação do MPPR (Ministério Público do Paraná). Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra o médico, que atuava no Hospital Municipal de Itaúna do Sul.
Rodrigo é investigado por ameaçar e perseguir servidores públicos da unidade. Segundo o MPPR, ele tentava manter privilégios dentro do hospital e teria imposto um "regime de arbitrariedades". Uma testemunha chegou a comparar a rotina no local a um "filme de terror".
O médico teria se apropriado de uma sala do hospital para uso pessoal. Em áudio divulgado pelo MPPR, a promotora Marina Campos Corrêa afirmou que o médico "teria se apropriado de uma sala do hospital, onde permanecia com a esposa durante os plantões".
A crise se agravou após a posse de uma nova secretária municipal de Saúde. Segundo o órgão, a gestora tentou corrigir algumas irregularidades no hospital. Em reação, o médico teria passado a perseguir a secretária, seus familiares e servidores da unidade.
As ameaças teriam sido feitas presencialmente. O Ministério Público informou ao UOL que isso dificultou a coleta de provas. A denúncia chegou ao MP por meio de uma das vítimas, que procurou a Promotoria de Justiça da Comarca.
Rodrigo Felipe Amparado é servidor concursado de Itaúna do Sul. O MPPR informou ainda que ele também atende no Hospital Municipal de Nova Londrina. O processo está sob sigilo, mas a promotora autorizou a divulgação de informações adicionais sobre o caso.
O UOL perguntou à Prefeitura se Rodrigo Felipe Amparado foi afastado do hospital e se a conduta dele é alvo de apuração interna. A reportagem também questionou o vínculo funcional do médico, eventuais medidas de proteção a servidores e impacto no atendimento do Hospital Municipal. Após o MPPR confirmar a identidade do investigado, a reportagem enviou complemento à prefeitura informando que se tratava de Amparado. Não houve retorno até a publicação.
A defesa do médico não foi localizada. O MPPR informou não ter os dados do advogado de Rodrigo Felipe Amparado e o TJ alegou impossibilidade por sigilo do processo. A reportagem busca localizar a defesa. O espaço segue aberto para manifestação.
A apuração foi conduzida, até o momento, pela Promotoria de Justiça da Comarca. Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público instaurou um procedimento investigativo e pediu à Justiça a prisão preventiva do médico e a realização de buscas.
A Justiça autorizou a prisão preventiva do médico e buscas ligadas à investigação. Os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos na quarta-feira, segundo o MPPR.
A Polícia Civil foi questionada sobre o destino do médico após a prisão e eventuais registros anteriores contra ele. O UOL também perguntou se a corporação participou do cumprimento dos mandados e se houve apreensão de materiais na operação. Não houve retorno até a publicação.