BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo federal estima que sistemas da Defesa Civil emitiram dez tipos de alertas falsos de evento extremo a milhões de pessoas entre o fim da noite de sexta (19) e o início da madrugada do sábado (20).

O primeiro teria sido emitido no Paraná. O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, disse na manhã deste sábado (20) que provavelmente o sistema sofreu um ataque hacker.

Os alertas continham a palavra "misantropia" ou variações como "misantropi4", palavra que denota aversão, desconfiança ou desprezo por pessoas e pela espécie humana.

"Tudo indica ataque de hacker. Lamentavelmente, tem pessoas que se propõem a fazer um desserviço à nação, então nosso sistema foi invadido", disse Wolff à imprensa.

Na madrugada de sábado (20), a Defesa Civil Nacional declarou que a plataforma de envio de alertas sofreu uma invasão e foi tirada do ar por volta de 1h30. Também informou que acionou a Polícia Federal para investigar o caso.

Segundo Wolnei Wolff, nove alertas foram emitidos pelo sistema de alertas por cell broadcast, que aciona os celulares que estão em determinada região. Outro alerta foi feito a partir de um sistema mais antigo, que envia mensagens de texto (SMS) a aparelhos cadastrados.

O governo não soube explicar se cada alerta foi feito para um estado diferente. O governo não informou para quais estados os alertas foram disparados nem detalhou as mensagens enviadas a celulares.

O secretário afirmou que ainda não há informações de quantos celulares foram acionados. "Com certeza, milhões de pessoas foram alertadas", disse.

Wolff disse que os sistemas estaduais serão reativados após trocas de senhas e quando o governo estiver seguro de que não há risco de emissão de novo alerta falso.

"A princípio, o primeiro alerta foi do Paraná. Só que dentro do nosso sistema tem uma regra: quem está no Paraná só consegue dar alerta para o mesmo estado, jamais conseguiria para outros", disse Wolff.

"Tudo indica que não é uma pessoa do sistema de proteção e Defesa Civil, cadastrada e com possibilidade de acesso regular. Tudo leva a crer que foi um ataque hacker, crime cibernético", disse .

Em Curitiba, as mensagens foram recebidas por volta das 23h45 da sexta-feira. Em outros locais do país, como São Paulo, Brasília e Aracaju, os relatos do recebimento são da madrugada do sábado, por volta da 1h30 da manhã.

Em nota, a Defesa Civil Nacional declarou que a plataforma de envio de alertas sofreu uma invasão e foi tirada do ar por volta de 1h30.

"Provavelmente se trata de um ataque hacker. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas", anunciou o órgão ligado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Entenda o sistema

Diferentemente de alertas por mensagem de texto ?que enviam um SMS?, o que usa a tecnologia cell broadcast interrompe outras funções dos aparelhos, como reprodução de vídeos e uso de apps, e dispara um alarme sonoro e um vibratório para que chame a atenção do usuário.

Todo aparelho celular de determinada região conectado a uma antena de telefonia e recebendo sinal 4G ou 5G vai receber mensagens de alerta. São acionados aparelhos que estejam em área de risco independentemente de o usuário ter cadastrado seu número para receber alertas.

A funcionalidade foi denominada Defesa Civil Alerta e complementa as já existentes ferramentas utilizadas para o envio de alertas (SMS, TV por Assinatura, WhatsApp, Telegram e Google Public Alerts). .

Em São Paulo, a tecnologia foi adotada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) após a chuva de fevereiro de 2023 na região de São Sebastião, que deixou 65 mortos no litoral norte do estado. São Paulo foi um dos primeiros estados a fazer testes com essa ferramenta.

Característica da tecnologia Cell Broadcast

- Não depende de cadastro prévio da população da região afetada;

- O alcance é instantâneo dos celulares das pessoas que estiverem, naquele momento, sob alcance das antenas de telefonia 4G ou 5G da região em risco (geolocalização);

- O alarme terá um aviso sonoro e uma vibração mesmo quando o aparelho estiver em modo silencioso;

- A mensagem enviada aparecerá na tela do celular como um pop up, independentemente do conteúdo que estiver em uso, e que será interrompido.

- O pop-up só desaparecerá se o usuário o fechar. Caso contrário, continuará com o aviso sonoro e a vibração.