SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A primeira parte da reformulação viária da rodovia Presidente Dutra na serra das Araras (RJ) será inaugurada nesta terça-feira (23) e aberta aos veículos na quinta (25).

A previsão era que o trecho de quatro quilômetros seria inaugurado na próxima semana, mas acabou antecipado por causa do alinhamento da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O petista participará da cerimônia desta terça. Devido à legislação eleitoral, Lula só pode participar da inauguração de uma obra até 4 de julho (três meses antes do pleito). Ele planeja disputar a reeleição.

A parte que será entregue, metade dos oito quilômetros, fica no sentido Rio-São Paulo. O restante está previsto para ser finalizado no primeiro semestre de 2027.

Orçado em R$ 1,5 bilhão, o novo traçado contemplará oito faixas (quatro para cada sentido), além de acostamentos.

Com a expansão, o limite de velocidade vai dobrar para 80 km/h. A estimativa é que haja redução de 25% do tempo no percurso da subida (sentido São Paulo) e 50% na descida (sentido Rio de Janeiro).

Atualmente, as duas vias dividem o tráfego por oito quilômetros na serra -do km 233 ao km 225- entre a subida, no sentido São Paulo, e a descida para o Rio de Janeiro.

Ao todo, a obra com extensão de 4.503 metros contará com 24 novos viadutos (oito deles serão entregues nesta terça), três passarelas e duas rampas de escape.

Iniciadas em abril de 2024, as obras de ampliação ocorrem no trecho da Dutra (BR-116) entre Piraí e Paracambi, no Rio de Janeiro. Elas deveriam ser concluídas em 2029.

"Mas vamos conseguir entregar dois anos antes do prazo de contrato", diz Carla Fornasaro, diretora-presidente da concessionária RioSP, empresa do grupo Motiva, em entrevista à Folha. Atualmente, as obras estão com 70% de conclusão.

A reformulação tem números que chamam a atenção. Desde o início, por exemplo, foram 296 detonações de rochas até agora. Aproximadamente 2.000 pessoas trabalham na construção.

Os cerca de 484 mil metros cúbicos de material rochoso desmontado estão sendo reaproveitados na própria construção das vias.

A técnica para as detonações é chamada de "fogo cuidadoso". Para diminuir ruídos e a dispersão de material, o que facilita também a limpeza e a liberação da pista, os explosivos são cobertos por pneus e uma camada de material argiloso.

A região fica em uma área de característica geológica complexa, segundo a concessionária. Em janeiro de 1967, a serra das Araras foi devastada por deslizamentos de terra após um temporal. Cerca de 300 corpos foram recuperados, mas mais de 1.400 pessoas desapareceram. A Dutra ficou intransitável por quatro meses.

Houve a necessidade de ajustes nas detonações. No início, ocorriam em um período de duas horas entre o fim da manhã e o início da tarde. Isso impedia a volta para casa e a chegada de alunos em escolas da região. Assim, foi preciso mudar os trabalhos para entre as 13h e as 15h -durante as explosões, a rodovia é fechada pela Polícia Rodoviária Federal.

A CCR RioSP contratou a empreiteira EGTC Infra, responsável pela duplicação da rodovia dos Tamoios, que faz ligação ao litoral norte paulista e tinha complexidade semelhante.

O projeto foi aprovado pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente), o que, segundo Carla, contribuiu para agilizar os processos, pois já havia licenciamento ambiental.

"É uma obra com uma série de graus de dificuldade. O primeiro deles é o fato de a Dutra ser uma rodovia complexa, com 650 ocorrências todos os dias", afirma a executiva.

A intervenção ocorre em um trecho extremamente sinuoso, com a circulação média de 390 mil veículos por mês -36% deles são de carga.

A rodovia Presidente Dutra, inaugurada em 1951, teve edital de concessão aprovado em 2021, válido por 30 anos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), era à época ministro da Infraestrutura do governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e mencionou a concessão e o plano de obras como um feito durante a campanha de 2022.

No fim do ano passado foi inaugurada a maior intervenção da história da rodovia, em um trecho de 21 km na região metropolitana de São Paulo, onde houve a instalação de 21 pórticos de pedágio de passagem livre, no sistema free flow.