SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cacique Raoni Metuktire apresentou melhora após passar por cirurgia de desobstrução intestinal, por técnica minimamente invasiva, segundo o Hospital São Paulo (HSP/Unifesp). O procedimento ocorreu no último sábado (20) com objetivo de normalizar o trânsito intestinal.
"A cirurgia ocorreu sem complicações. Está sendo acompanhado na Unidade de Terapia Intensiva [UTI], com evolução clínica estável, afebril, abdome flácido, função renal normal e respirando em ar ambiente", diz trecho do boletim médico emitido pelo hospital.
O cacique deu entrada no hospital na sexta (19), apresentando quadro de obstrução intestinal, desidratação e pneumonia aspirativa. Ele foi transferido de Sinop, em Mato Grosso, para dar continuidade ao tratamento de saúde e ao acompanhamento cirúrgico de seu quadro clínico.
"[Ele] mantém alimentação por sonda enteral. Nova atualização sobre o estado de saúde do paciente será emitida amanhã [23], à tarde, ou se houver alterações clínicas significativas", acrescentou o comunicado enviado a reportagem.
A transferência para o HSP foi definida após avaliação conjunta das equipes médicas responsáveis pelo caso, segundo o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, onde o líder estava em Sinop. O transporte foi realizado em uma aeronave disponibilizada pelo Governo de Mato Grosso.
Raoni estava internado em Sinop desde o último dia 14, após ser diagnosticado com sepse pulmonar associada a uma pneumonia broncoaspirativa. Ele havia apresentado sintomas um dia antes, quando registrou episódios de vômito em sua residência, na região de Peixoto de Azevedo (MT).
No dia seguinte, apresentou três novos episódios de vômito, além de tosse persistente, dor abdominal e eliminação de pequena quantidade de sangue pela boca, sendo transferido de avião para Sinop.
Do dia 16, a equipe médica informou que ele havia apresentado melhora significativa da função renal e redução dos indicadores da infecção.
De acordo com o hospital, Raoni deixou a UTI nos últimos dias e foi transferido em condição clínica estável. No momento do embarque ele estava lúcido, consciente e orientado, respirando espontaneamente e sem necessidade de suporte ventilatório mecânico, diz a unidade.
Durante o trajeto para São Paulo, o líder indígena foi acompanhado por dois familiares, além de um médico intensivista e um enfermeiro. Na capital paulista, o acompanhamento é conduzido pelo cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.
A nova internação ocorreu menos de um mês após Raoni receber alta do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros. Em maio, ele foi hospitalizado após apresentar mal-estar clínico e complicações respiratórias e gastrointestinais.
Antes disso, também havia passado cinco dias internado para tratar dores abdominais associadas a uma hérnia.
A equipe médica informou, à época, que o líder indígena possui comorbidades preexistentes, entre elas DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), insuficiência cardíaca, uso de marcapasso cardíaco e hérnia diafragmática.
Desde 2020, Raoni já passou por seis internações no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros. A relação com a unidade foi construída a partir das Expedições UFMT-Xingu, projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso em parceria com o hospital, que leva atendimento especializado às aldeias da Terra Indígena Capoto/Jarina.
Reconhecido internacionalmente pela defesa da Amazônia e dos povos indígenas, Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970 ao se posicionar contra a construção da rodovia Transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985).
Em 1989, após conhecer o músico britânico Sting, iniciou uma série de viagens internacionais e se consolidou como uma das vozes mais conhecidas em defesa da floresta amazônica e dos direitos indígenas.
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