SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O julgamento dos três policiais militares acusados pelo assassinato de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach foi anulado na noite desta segunda-feira (22) após a defesa abandonar o plenário em meio a uma discussão com o representante do Ministério Público.
Com a decisão do magistrado que presidia a sessão, o processo terá de recomeçar desde o início, com a formação de um novo conselho de sentença. Ainda não há uma data definida. O júri havia começado na manhã desta segunda.
A crise começou quando o promotor Rodrigo Merli Antunes passou a questionar o capitão da Polícia Militar Manuel Carlos de Carvalho sobre um inquérito relacionado a supostos atentados sofridos pelo advogado Mauro Ribas.
Os defensores alegaram que o tema não tinha qualquer relação com os fatos analisados pelo júri e passaram a contestar a pertinência das perguntas.
Os advogados Cláudio Dalledone, Renan Canto e Mauro Ribas interromperam os questionamentos e acusaram o representante do Ministério Público de introduzir fatos estranhos aos autos.
"O senhor está querendo de novo atacar a advocacia", afirmou um dos defensores. Em seguida, os advogados passaram a questionar a pertinência da linha de investigação apresentada pelo promotor.
A discussão rapidamente saiu do controle. Em meio à troca de acusações, Dalledone, Canto e Ribas deixaram a bancada de defesa e cercaram o promotor no plenário. Houve gritaria, interrupções simultâneas e sucessivas tentativas de fala entre acusação e defesa, enquanto o magistrado buscava retomar o controle da sessão.
"Doutores, por favor", repetiu o juiz diversas vezes. Em seguida, pediu que o promotor justificasse a linha de questionamento.
Mesmo após as intervenções do magistrado, o bate-boca continuou. A defesa acusou o promotor de trazer "fatos novos avessos ao processo" e de tentar "atacar a advocacia".
Do outro lado, Antunes sustentou a pertinência dos questionamentos e afirmou que buscava esclarecer pontos levantados durante o depoimento da testemunha.
Diante da escalada da tensão, o magistrado suspendeu a sessão por cerca de cinco minutos. Após a retomada dos trabalhos, a defesa decidiu abandonar o plenário.
Mais cedo, durante um intervalo na sessão de julgamento, tanto um advogado de defesa quanto o promotor acusaram que havia tentativa do lado oposto para dissolver o julgamento.
"O promotor de Justiça, de forma deselegante, está tentando fazer com que haja um confronto físico no plenário para ele dissolver o Conselho [de Sentença, formado pelos jurados]", havia declarado o advogado Cláudio Dalledone Júnior por volta das 15h20.
O promotor Rodrigo Merli Antunes, por sua vez, também havia afirmado que a defesa tinha a intenção de provocar a suspensão do julgamento, comentando o fato de que o advogado Renan Canto já havia ameaçado deixar o plenário durante a oitiva de uma testemunha.
"Quem tensionou abandonar o plenário, para dissolver o julgamento, foi a defesa", disse o promotor em entrevista coletiva realizada também durante o intervalo. "Aliás, [a defesa] começou a provocar este promotor e quem retorquiu, creio eu à altura, fui eu. Mas isso já demonstra que eles pretendem, na verdade, não levar esse julgamento adiante.'