SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de Santa Catarina investiga a morte de uma empresária de 70 anos que passou por procedimentos estéticos em uma clínica em Lages.
Geny Maria Angeli Michielin era dona de uma fábrica de solas para calçados em Caçador (SC). Ela passou pelo procedimento na terça-feira (16) na clínica Illuminare Instituto da Face e morreu na madrugada da última quarta (17). O velório ocorreu no dia 18.
A empresária fez um lifting facial e um outro procedimento estético que não foi detalhado. As informações são da NDTV, afiliada da Record na região. Cirurgias de lifting (lift é levantar, em inglês) têm como objetivo rejuvenescimento da pele e redução de flacidez.
Ainda não há informações se os procedimentos em Geny foram feitos por um cirurgião-dentista ou um médico. Dentistas podem realizar procedimentos estéticos no rosto, mas há restrições. O Conselho Federal de Odontologia reconhece a harmonização orofacial como especialidade, mas veta lifting, por exemplo. O Conselho Regional de Medicina de SC publicou um alerta nas redes sociais após o caso, recomendando que pacientes verifiquem se o profissional é médico e possui habilitação antes de realizar qualquer procedimento.
Polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na clínica na sexta-feira (20). Foram apreendidos documentos apresentados pela dentista responsável e pela anestesista, além das imagens das câmeras de monitoramento do local, segundo nota enviada ao UOL.
Advogado da empresa classificou a morte como "fatalidade". A defesa, feita pelo advogado Erial Lopes de Haro, disse que todos os protocolos de segurança foram adotados antes, durante e depois da cirurgia, e que a equipe atuou de forma "técnica, contínua e imediata" após a intercorrência.
Investigação já colheu depoimentos de familiares e reuniu prontuário médico. A documentação do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, onde Geny foi atendida, foi anexada ao inquérito e encaminhada para análise do médico legista da Polícia Científica.
Polícia Civil acionou os Conselhos de Medicina e Odontologia do estado. Eles foram oficiados para fiscalizar a clínica e analisar a regularidade do atendimento no âmbito administrativo. Em nota, o CRO informou que acompanha o caso. O CRM também foi procurado, mas não houve retorno até o momento.
Neste momento, a apuração encontra-se sob condução da polícia judiciária. Por essa razão, e também em respeito à investigação em curso, o CRO-SC atua em colaboração com a autoridade competente, observando os limites legais e institucionais aplicáveis, sem antecipar qualquer juízo de valor sobre responsabilidades, condutas profissionais ou a natureza dos procedimentos investigados. Trecho de nota enviada pelo CRO-SC