SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou procedimento para investigar a morte de uma mulher depois de ela ter solicitado uma corrida de motocicleta por meio de um aplicativo, em Varginha, na noite de sexta-feira (19).
Joice Batiston, 27, havia solicitado a corrida por meio da plataforma 99, mas não chegou ao destino. A jovem tinha combinado de encontrar algumas amigas para assistirem juntas ao jogo do Brasil contra o Haiti pela Copa do Mundo em um restaurante da cidade naquela sexta-feira.
Ela saiu de casa por volta das 22h para ir ao restaurante. Em uma troca de mensagens com uma amiga, Joice avisou quando o motorista a buscou na frente de casa, disse que já estava a caminho e que chegaria em breve. Essa foi a última mensagem que ela enviou.
Joice, porém, não conseguiu chegar com vida no endereço combinado com as amigas. Isso porque ela foi encontrada por policiais militares gravemente ferida na Avenida Pimentel, um ponto distante do local onde ela havia marcado de assistir ao jogo e sem sistema de monitoramento. A vítima estava desacompanhada.
Policiais levaram Joice para a Unidade de Pronto Atendimento de Varginha. A mulher chegou com vida à unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A causa da morte na certidão de óbito foi politraumatismo, explicou ao UOL a irmã dela, Josilene Batista. A família, porém, aguarda conclusão de outros laudos solicitados pela Polícia Civil.
Vítima tinha ferimentos espalhados pelo corpo. O cunhado de Joice, Lucas Azeola, descreveu a imagem da vítima morta como "brutal" e explicou que ela tinha um corte grande na região da testa, acima da sobrancelha, além de marcas parecidas com arranhões espalhadas pelo corpo, como nas mãos e nos joelhos.
Suspeita inicial era de que Joice tivesse sofrido algum acidente, mas a família não acredita nessa versão. "Se fosse atropelamento ela teria braço quebrado, estaria com a perna quebrada, teria muito machucado. Mas ela estava toda ralada e a região mais machucada foi o rosto [que em tese estaria protegido pelo capacete em caso de queda]", disse Josilene.
Rosto de Joice ficou "irreconhecível", afirmou a irmã dela. "A região mais machucada foi o rosto. Ela estava irreconhecível. A gente só conseguiu reconhecer pelo corpo e a roupa dela. Ela foi sepultada com caixão lacrado porque o rosto estava muito machucado", contou.
Irmã também disse que havia sangramento na região íntima de Joice, o que suscitou a possibilidade de abuso. Além disso, o aparelho celular usado pela vítima foi levado e ainda não foi localizado.
Família descreveu Joice como uma pessoa simples e meiga e pediu por justiça. "Nós queremos justiça, que o responsável seja preso. Ela era uma pessoa boa, trabalhadora, muito meiga, muito doce. Uma pessoa que era preocupada com a família, que tudo pra ela era a família em primeiro lugar. Ela era cheia de sonhos e sonhava em ter a própria família, casa própria", completou Josilene.
Procurada, a Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que investiga o caso. Entretanto, o órgão ressaltou que ainda aguarda os resultados dos laudos periciais e que, no momento, não pode fornecer mais detalhes da investigação.
Por meio de nota, a 99 informou que o motorista já foi identificado e está bloqueado na plataforma até a conclusão das investigações. A empresa também lamentou a morte de Joice e disse colaborar com a polícia.
Assim que o relato foi registrado em sua Central de Segurança, uma equipe especializada foi designada e está em contato com familiares de Joice Batiston para oferecer acolhimento e informações para o acionamento do seguro, que inclui atendimento psicológico e suporte para despesas funerárias. 99 por meio de nota ao UOL