RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (23) que o Brasil precisa decidir se quer gerar impostos e desenvolvimento com a produção de petróleo ou ir para a selva e ter um ar maravilhoso".

"O Brasil tem que entender e se decidir, afinal de contas, qual vai ser o seu futuro e o que ele quer desse futuro. 'Phase away' [políticas para reduzir a produção] de petróleo vai significar abrir mão de R$ 277 bilhões em tributos, porque foi o que nós pagamos no ano passado", disse Magda.

Na presidência da COP30, o governo brasileiro propôs ao mundo a discussão de um mapa do caminho para reduzir gradualmente a produção e o consumo de combustíveis fósseis. A proposta não foi aceita na conferência, mas Brasil e Turquia, sede da próxima COP, seguem trabalhando em um texto.

Após a COP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a elaboração de um mapa do caminho brasileiro, para criar "diretrizes para uma transição energética justa e planejada, com vistas à redução da dependência de combustíveis fósseis no Brasil".

Magda disse que o Plano Clima do governo brasileiro tem que considerar "a construção do futuro do Rio de Janeiro, a construção do futuro do Brasil".

"Não tem Plano Clima se não tiver sociedade, né? Então é muito fácil, olha, fecha tudo, vamos todo mundo para selva e vamos ter um ar maravilhoso", afirmou.

O debate sobre a redução da produção de petróleo, porém, vai além da qualidade do ar. Combustíveis fósseis são apontados por cientistas como a principal causa da mudança climática pelo excesso de gases do efeito estufa na atmosfera.

Esse processo torna mais frequentes e intensos eventos climáticos extremos, como enchentes, secas ou queimadas florestais, e tem também impactos econômicos em diferentes setores industriais ou agrícolas.

Magda não citou especificamente os planos de "phase away" brasileiros. Disse em seu discurso que a transição energética "não pode destruir o que estamos construindo". "Não temos vergonha de produzir petróleo", repetiu.

A indústria do petróleo passou a tentar difundir o termo "adição energética" em vez da transição energética, para reforçar a ideia de que o mundo precisará de renováveis, mas em complemento ?e não substituição? ao petróleo.

"Temos que falar em adição energética, em soma de esforços, de um país que progride com transição energética, mas aquela transição do nosso tempo. Quando se falava em etanol e em Pro-Álcool, se falava além de petróleo e gás."

Ela participou do lançamento do anuário de petróleo e gás do Rio de Janeiro, elaborado pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro). O estado é responsável por quase 90% da produção nacional e altamente dependente das receitas desse setor.

No evento, a Firjan estreou outro slogan em defesa da indústria: "O petróleo está em tudo". "O Rio de Janeiro é petróleo, veste petróleo, se movimenta com petróleo, se alimenta, vive e constrói com petróleo", afirmou o presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano.