SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O vereador Senival Moura (PT), de São Paulo, foi preso na manhã desta quinta-feira (25) por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio de empresa de transporte coletivo.
A Operação Última Parada, feita pelo Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil, cumpre cinco mandados de prisão de ligados a Transunião, que atua no transporte público da capital paulista. Mandados judiciais também são cumpridos na Grande São Paulo e em Extrema (MG).
Segundo a investigação, o vereador controlava efetivamente a empresa, apesar de não integrar oficialmente a direção.
Além de Senival, foram presos Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, que seria um diretor informal da empresa de ônibus, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador. Os dois são réus pelo assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020.
A Folha de S.Paulo tenta contato por telefone e email com o gabinete do vereador desde as 7h30. Às 10h15, um assessor de Senival informou que uma nota estava sendo preparada e seria divulgada em breve. Não foi informado o contato do advogado do parlamentar.
Procurada por meio de mensagem e telefonemas, a liderança do PT na Câmara não se manifestou até o momento.
A reportagem também busca a defesa dos outros dois presos e tenta contato por telefone com a Transunião, mas ninguém atende aos telefonemas.
A Prefeitura de São Paulo afirmou, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e da SPTrans, afirmou que a "operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população".
A gestão Ricardo Nunes (MDB) ainda afirma que aguarda a notificação oficial da Justiça para "avaliar seus termos e definir as providências necessárias".
Os outros alvos da operação, que não foram presos, são Leonel Moreira Martins, supervisor operacional da empresa, e Lourival Monário, atual presidente da companhia. A reportagem também busca a defesa deles.
A investigação que deu origem à operação realizada nesta quinta começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. Segundo o Ministério Público, foram coletadas provas sobre o uso da empresa, que teria obtido em 2025 R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano para a prática de lavagem de capitais.
A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia, assim como 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
O Poder Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião e a comunicação à Prefeitura de São Paulo para adoção de providências administrativas, regulatórias e contratuais, incluindo intervenção administrativa. O objetivo é garantir o atendimento aos usuários do transporte coletivo.
Segundo as investigações, há um núcleo paralelo que toma as decisões relativas à empresa de transporte, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC.
Além disso, a mudança societária da companhia, segundo a investigação, teve origem criminosa, com um salto no capital social de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões, sem que a origem desses recursos ficasse clara.
Chamam atenção também, de acordo com a Promotoria, pontos de contato com os esquemas investigados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, esta última deflagrada pela Polícia Federal com foco no tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a 'Ndrangheta', grupo mafioso sediado na Itália.
Em 2024, o Ministério Público deflagrou a Operação Fim da Linha, desarticulando duas organizações criminosas que lavavam dinheiro do PCC por intermédio da UPBUS e da Transwolff, duas empresas de ônibus responsáveis pelo transporte de cerca de quase 700 mil passageiros diariamente na maior cidade do país. Elas receberam mais de R$ 800 milhões de remuneração da Prefeitura de São Paulo em 2023.
Após a divulgação da operação, o prefeito Ricardo Nunes publicou nota em que diz estar acompanhando a operação e que assinou, em 2024, dois decretos "para romper contratos com uma empresa de ônibus que teria relação com o crime organizado".