SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A intensa onda de calor que afeta a Europa continua se espalhando nesta quinta-feira (25), com novos recordes de temperatura. Já são 291 mortes associadas às temperaturas em Alemanha, Espanha, França e Itália, desde a semana passada.
Estima-se que mais de 100 milhões de habitantes do velho continente vão sofrer em algum momento o impacto de temperaturas acima dos 35°C nesta quinta.
Para se ter uma ideia, estimativas do Banco Mundial indicam que 450,2 milhões de pessoas vivem nos países da União Europeia. O Reino Unido abriga mais 69,2 milhões.
A forte onda de calor é atribuída a uma imensa massa de ar quente, procedente da África, posicionada sobre a Europa ocidental e comprimida por altas pressões na altitude.
Nesta quinta-feira, a Suíça registrou 38°C na Basileia, o maior valor observado desde 1947.
A Holanda emitiu um alerta vermelho de calor da história para esta sexta-feira -é a primeira vez que essa medida é adotada. O alerta vale para grande parte do território, onde as temperaturas devem chegar a 40°C em alguns lugares.
Na Espanha, ao menos 212 óbitos, registrados entre o domingo (21) e esta quarta-feira, podem estar associados às altas temperaturas. A França teve ao menos 48 por afogamento, além de seis igualmente relacionadas ao calor extremo.
Alemanha e Itália somam outros 25 óbitos.
Na França, o pico desta onda de calor histórica deve ser alcançado nesta quinta-feira. Espera-se que as condições comecem a melhorar a partir desta sexta.
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, disse que houve um "aumento da mortalidade" na cidade, onde os termômetros passaram nesta quarta-feira dos 40°C. Em 150 anos, é a quarta vez que isso ocorre.
Grégoire disse a uma TV local que "praticamente todos os nossos indicadores estão em estado crítico", incluindo chamadas para serviços médicos de emergência, chamadas para os bombeiros, internações em pronto-socorro e óbitos.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou que vai elevar a mobilização do sistema de saúde para o nível mais alto.
O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou que 13,5 mil escolas foram fechadas ou funcionariam em horários especiais nesta quinta-feira.
Sindicatos de professores franceses convocaram uma greve para protestar contra as condições de trabalho. "A saúde dos funcionários e alunos, assim como suas condições de trabalho, estão sendo colocadas em risco", declararam as entidades em comunicado conjunto, apontando uma "clara falta de preparação" para ondas de calor.
Na Alemanha, são esperadas temperaturas acima dos 40°C. Houve o cancelamento de eventos ao ar livre, como a meia maratona de Hamburgo. "É uma pena que não seja realizada, mas o calor é uma razão de força maior", afirmou o estudante Marc Trauth, 24, que disputaria a corrida juntamente com seu tio.
Especialistas afirmaram que o atual recorde alemão para junho, de 39,6°C, observado em 2019 no estado de Saxônia-Anhalt, pode ser facilmente quebrado neste fim de semana.
A companhia ferroviária Deutsche Bahn recomendou aos seus clientes que evitem viajar. A empresa anunciou o reembolso de todas as passagens reservadas até 30 de junho para quem desejar.
No Reino Unido, o alerta vermelho por calor extremo, emitido em raríssimas ocasiões, foi prolongado até a noite desta sexta-feira (26) para Londres e para parte do sudeste da Inglaterra. A agência meteorológica nacional voltou a registrar nesta quinta-feira um recorde de calor para o mês de junho: 36,4°C.
O Met Office britânico estendeu o alerta vermelho de calor, que abrange uma grande área, até esta sexta-feira (26).
Mais de mil escolas fecharam total ou parcialmente em todo o Reino Unido, já que a temperatura em algumas salas de aula ultrapassou os 40°C.
O serviço de ambulâncias de Londres disse ter contabilizado, na quarta-feira, o maior número de emergências com risco de morte em um único dia devido ao calor extremo. Foram 642 chamados para doenças mais graves, como paradas cardíacas.
Na Itália, a onda de calor deve atingir seu pico nos próximos três dias, pondo em risco a saúde de até 1,5 milhão de trabalhadores, incluindo operários da construção civil, agricultores e entregadores, de acordo com estimativas do sindicato italiano CGIL e do Greenpeace Itália.
Diversas regiões proibiram o trabalho ao ar livre durante os horários mais quentes do dia. O governo anunciou que empresas obrigadas a interromper suas atividades por causa do calor poderão acessar fundos para funcionários em licença remunerada.
Para tentar mitigar os efeitos de ondas de calor que cada vez podem ser mais frequentes, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) pediu nesta quinta-feira à União Europeia que estabeleça pausas para hidratação obrigatórias para os trabalhadores expostos a estas ondas de calor, a exemplo das adotadas em jogos da Copa do Mundo.
A CES, que diz representar 45 milhões de trabalhadores, pediu à Comissão Europeia que aja para garantir aos trabalhadores o "direito a pausas sem perdas de salário" em caso de altas temperaturas.
O risco de acidente de trabalho aumenta em até 7% quando os termômetros passam de 30°C e em até 15% a partir dos 38°C.