SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O advogado Rodrigo Pantaleão, que ficou conhecido após pedir a condenação do próprio cliente durante audiência no Tribunal de Justiça de Santa Catarina no fim de maio, foi encontrado morto nesta quinta-feira (25) em Florianópolis.
Defensor foi achado morto dentro da própria casa. A causa da morte não foi divulgada e as investigações estão em andamento, segundo a OAB-SC (Ordem dos Advogados do Brasil - subseção Santa Catarina) em nota.
OAB-SC disse acompanhar o caso de perto. O presidente da subseção, Juliano Mandelli, informou que, se houver qualquer indício de crime e relação com o exercício da advocacia, o órgão cobrará a punição e responsabilização do responsável.
Órgão ainda pediu uma apuração célere, rigorosa e transparente. "A Ordem não tolerará omissão nem demora neste caso, seja qual for o resultado da perícia", concluíram.
"Recebemos essa notícia com profunda consternação. A OAB/SC acompanhará de perto as investigações para que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, especialmente no que diz respeito à eventual relação de crime com o exercício da advocacia e às prerrogativas profissionais", disse Juliano Mandelli, presidente da OAB-SC.
O defensor Rodrigo Pantaleão concordou com o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público. O cliente, que responde por tráfico e uso indevido de drogas, passava por uma audiência virtual na 3ª Vara Criminal da Comarca da Capital quando o fato inusitado ocorreu, no dia 28 de maio.
"Em alegações finais, Vossa Excelência, a defesa corrobora com as afirmações exaradas pela Promotoria de Justiça, nada mais", disse Rodrigo Pantaleão .
A juíza, no entanto, se indignou com a atitude do profissional. "Eu não posso aceitar essas alegações finais, senhor, vou considerar o réu indefeso", falou Carolina Ranzolin Nerbass. "Não, essas são as alegações finais da defesa", rebateu o homem na sequência.
Em nota, a OAB informou que oficiou a juíza responsável pelo processo, solicitando informações e documentos relacionados ao ocorrido, para entender o que aconteceu. "Caso sejam constatadas infrações disciplinares após a devida apuração, poderão ser instaurados os procedimentos competentes no âmbito do Tribunal de Ética e Disciplina, os quais tramitam sob sigilo legal."
Magistrada, então, intimou o réu a encontrar outra pessoa para representá-lo. Segundo ela, apesar de o próprio acusado ter admitido parte do crime, ele "merecia uma defesa". "Então, eu dou três dias para o senhor constituir um novo defensor. Se o senhor não constituir, eu vou nomear um defensor dativa para o senhor, que vai fazer uma defesa adequada", acrescentou.
Um novo advogado foi nomeado. O tribunal informou que o processo segue aguardando uma nova audiência de instrução e julgamento para definição da sentença, ainda sem data.
Antes mesmo do início da sessão polêmica, Pantaleão já havia demonstrado indisposição pelo caso. A Justiça havia oferecido a ele a oportunidade de conversar com seu cliente de maneira reservada, o que foi negado, dizendo que "não havia necessidade".