SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A defesa do vereador Senival Moura (PT) declarou na tarde desta quinta-feira (25) ter recebido "com profunda indignação" a decretação da prisão temporária e disse, em nota divulgada horas após ele ser detido, que "a verdade prevalecerá".
"A medida causa enorme surpresa, sobretudo porque foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos", disse o advogado Marcio Sayeg, que representa Senival.
"Desde o primeiro momento, a defesa está adotando todas as providências cabíveis para ter acesso aos autos, compreender os fundamentos da decisão e apresentar os esclarecimentos necessários, exercendo plenamente o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa."
A nota diz ainda que o vereador "reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte".
Senival, segundo a defesa, "sempre pautou sua trajetória pública pelo compromisso com a população, pela transparência e pelo respeito às instituições democráticas". Por isso, diz a nota, "recebe a investigação com serenidade, certo de que a verdade prevalecerá".
Senival foi preso nesta quinta-feira (25) sob a suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio da Transunião, concessionária que opera linhas de transporte coletivo em São Paulo.
Embora não ocupe nenhum cargo na empresa, a Polícia Civil diz que Senival é o verdadeiro controlador da Transunião.
Além dele, também foram detidos Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, apontado como diretor informal da concessionária, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador.
Ambos são réus pelo assassinato de Adauto Soares Jorge, que presidiu a Transunião até 2020. As investigações dizem que Adauto foi morto depois que integrantes do PCC descobriram desvios na empresa.
O petista seria o principal beneficiário dos repasses. Ele só não foi morto, segundo autoridades à frente do caso, porque teria se comprometido a devolver os valores desviados.
Segundo a Polícia Civil, Senival exercia papel de "instância superior" dentro da companhia, com poder de decisão final sobre os negócios. O petista teria instrumentalizado a Transunião para operar um sistema financeiro clandestino de suporte econômico a integrantes do PCC.
A operação deflagrada nesta quinta também culminou no bloqueio de R$ 194 milhões em contas ligadas aos investigados e à empresa, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.