SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro trecho da linha 6-laranja do metrô de São Paulo será inaugurado na próxima semana com seis estações entre as zonas norte e oeste da capital paulista, com horário reduzido, das 10h às 15h, de segunda a sexta-feira.
Nessa fase de testes não será cobrada passagem aos usuários. Também não haverá limite de passageiros nos trens, que tem capacidade para pouco mais de 2.000 pessoas.
Prometida para 2010, a linha será parcialmente aberta na quarta (1º) ou na quinta-feira (2), dependendo da agenda do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O trecho a ser inaugurado será entre as estações João Paulo 1º, na Freguesia do Ó, e Perdizes, compreendendo também as paradas Frequesia do Ó, Santa Marina, Água Branca e Sesc-Pompeia.
Ao todo, a linha 6-laranja contará com 15 estações e vai ligar a Brasilândia, na zona norte, a Liberdade, na região central.
As três primeiras estações do trecho norte: Brasilândia, Maristela e Itaberaba-Hospital Vila Penteado ainda não estão prontas e devem ser abertas ao público no fim do ano.
As demais são previstas para 2027, menos a 14 Bis-Saracura, na Bela Vista, região central ?devido a achados geológicos, as obras no local só foram liberadas recentemente pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
Apesar de o governo não admitir publicamente, como mostrou a Folha, a abertura do trecho, prevista inicialmente para outubro, foi antecipada devido a legislação eleitoral, já que o governador, candidato a reeleição, só pode participar da inauguração de obras até 4 de julho (três meses antes do pleito).
No fim do ano passado, o governo autorizou um aditivo de quase R$ 3,7 bilhões no contrato exatamente para acelerar a construção da linha.
Segundo André Isper, presidente da Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo), o percurso será feito com dois trens em sistema de ida e volta, com velocidade aproximada de 30 km/h (eles podem alcançar até 80 km/h). O trecho entre as seis estações deve ser percorrido em 19 minutos.
Mesmo com trensautomáticos, durante a operação assistida, que deve ir até o fim de 2026, os trens serão operados manualmente. Depois, a condução será autônoma.
No início da madrugada desta sexta-feira (26), à convite da Linha Uni, ?concessionária responsável pelo ramal, e que tem a empreiteira espanhola Acciona à frente?, a reportagem fez uma viagem entre o pátio Morro Grande, de onde partem os trens na região da Brasilândia, até a estação Santa Marina, na zona oeste. Uma mulher conduziu a composição.
O túnel do trecho percorrido está pronto, mas havia obras nas três primeiras estações, visíveis de dentro do metrô em movimento.
"As estações [que entrarão em funcionamento] ainda contarão com vistoria e liberação da Artesp", disse Isper.
Por enquanto, apenas um acesso em cada estação estará aberto aos passageiros.
A Água Branca tem integração com a estação de mesmo nome da linha 7-rubi, do trem metropolitano.
Como o túnel de ligação entre as duas estações não está pronto, o passageiro que chegar de metrô precisará sair do local e acessar o outro prédio pelo lado externo, onde pagará tarifa.
A linha 6-laranja é uma PPP (parceria público-privada) do governo de São Paulo com a concessionária Linha Uni. O contrato, de 30 anos, é de R$ 19 bilhões.
Conforme o presidente da Artesp, não haverá aditivo de pagamento nessa fase de testes sem cobrança de passagem aos usuários.
Quando pronta, a linha deve transportar 630 mil pessoas diariamente.
A ideia era inaugurar todo o ramal de uma vez, mas por causa de diferenças geológicas encontradas durante as escavações, a Linha Uni decidiu desmembrar a obra.
"Mudamos a estratégia de escavação porque tivemos serviços adicionais para um outro tipo de solo [encontrado]", diz Lúcio Matteucci, diretor de projetos da linha.
O projeto do ramal metroviário atravessou os governos do PSDB de José Serra, Geraldo Alckmin (hoje no PSB), João Doria (sem partido) e Rodrigo Garcia (Republicanos), até a promessa de entrega de ao menos uma parte pela gestão Tarcísio.
Prometida inicialmente para começar em 2010, a obra sofreu uma série adiamentos e teve início efetivamente em 2015, com previsão de entrega em cinco anos depois. Porém, a construção acabou paralisada em 2016, sendo retomada em 2020 com a atual concessionária.
Houve ainda a interrupção inesperada de sete meses em parte dos trabalhos, quando uma cratera afundou o asfalto na marginal Tietê, em fevereiro de 2022, por causa do rompimento de uma tubulação de esgoto, que também inundou a tuneladora, conhecida como tatuzão, que fazia a escavação.