SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mensagens obtidas pela Polícia Civil de São Paulo a partir da apreensão de celulares mostram o suposto papel do vereador Senival Moura (PT) na distribuição informal de recursos da empresa Transunião, suspeita de operar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo as investigações, o parlamentar era "o verdadeiro detentor do poder de condução da estrutura paralela de gestão financeira" da concessionária de transporte e funcionava como uma espécie de "instância superior de deliberação acerca da movimentação informal de recursos".
Senival foi preso na manhã desta quinta-feira (25) numa operação conjunta do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e da Polícia Civil.
A defesa dele declarou em nota ter recebido a prisão "com profunda indignação" e disse que a medida causa "enorme surpresa" porque "foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos".
Disse também que o vereador "reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte".
A investigação que culminou na prisão do parlamentar começou em 2020, na esteira da morte do então presidente da Transunião. Segundo a polícia, Adauto Soares Jorge foi assassinado após descoberta de desvios financeiros na empresa.
Ainda conforme os investigadores, Senival só não foi morto porque teria se comprometido a devolver os valores desviados. Autoridades passaram a monitorar o parlamentar.
Uma das mensagens obtidas pela Polícia Civil envolve uma conversa na qual Leonel Moreira Martins, também alvo da operação desta quinta, dizendo a Adauto que "dia 15 valor [R$] 53.500. Já falei com o vereador".
"Tal passagem assume especial relevância na medida em que explicita a correspondência entre as referências anteriormente empregadas nas mensagens sob as expressões 'veio', 'velho' e 'presidente' e a pessoa de Senival", afirma relatório da polícia sobre o caso. A reportagem não localizou a defesa de Leonel.
Em outra conversa, Leonel disse a Adauto que enfrentava dificuldades financeiras e pediu R$ 44 mil para pagar contas.
"Chefe !! estou limitado em 70 [mil] todas semanas de segunda até quinta-feira. Desculpa!! qualquer valor acima do acertado ... só depois dele [sic] me autorizar!! Foi o acordado", respondeu o então presidente da Transunião. A conversa é de 2019.
O aval "dele", segundo as investigações, refere-se ao vereador do PT.
Horas após a operação que culminou na prisão do vereador nesta quinta-feira, a gestão Ricardo Nunes (MDB) decretou intervenção na concessionária Transunião e disse em nota encaminhada à imprensa que a medida "abrangerá os prédios, equipamentos, veículos, serviços e demais bens móveis e imóveis de propriedade da empresa".
A intervenção entrou em vigor ainda nesta quinta-feira. A previsão é de que a medida dure seis meses neste primeiro momento.
Além do vereador, também foram detidos na operação desta quinta-feira Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, apontado como diretor informal da empresa de ônibus, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador.
Ambos são réus pelo assassinato de Adauto, o ex-presidente da concessionária. O advogado que representa Jair na ação penal do homicídio do ex-presidente não respondeu à tentativa de contato da reportagem.
Já o advogado José Miguel da Silva Júnior, que defende Devanil, disse à reportagem que ainda não teve acesso aos autos, mas que considera desnecessária a prisão dele e que já pediu a revogação da prisão temporária. "Ele sempre colaborou", afirmou.
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