SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde recomendou a aplicação da "dose zero" da vacina contra o sarampo para bebês de 6 a 11 meses em São Paulo e Guarulhos após a confirmação de três casos da doença na capital paulista. A "dose zero" é uma dose extra de vacina aplicada fora do calendário oficial de rotina, geralmente para reforçar a proteção de bebês contra doenças de alto risco de contágio.

A recomendação da "dose zero" vale para crianças de 6 a 11 meses e 29 dias. A medida busca reforçar a proteção nessa faixa etária, que é mais vulnerável a pegar a doença e desenvolver casos graves.

Três casos de sarampo foram confirmados em crianças menores de dois anos na zona norte de São Paulo. Duas delas frequentavam a mesma creche e a terceira mora na mesma região, com exames confirmados pelo Instituto Adolfo Lutz e pela Fiocruz-RJ.

Guarulhos também entrou na recomendação por causa do fluxo diário de pessoas. O deslocamento para a capital e a presença do Aeroporto Internacional de São Paulo aumentam o risco de o vírus se espalhar.

O governo federal vai enviar cerca de 100 mil doses extras da vacina para as duas cidades. O Ministério da Saúde informou que os casos são importados e não mudam o status do Brasil como país livre de sarampo endêmico.

ALERTA PARA VIAJANTES E COPA DO MUNDO

Os países-sede da Copa do Mundo de 2026 enfrentam uma alta nos casos de sarampo. Estados Unidos, Canadá e México registram milhares de infecções, o que eleva o risco para turistas brasileiros que vão viajar para esses locais.

O México teve uma explosão de casos, saltando de 7 em 2024 para mais de 11 mil em 2026. Nos Estados Unidos, já são 2.104 registros neste ano até 20 de junho, enquanto o Canadá soma 1.073 infecções no mesmo período.

O Ministério da Saúde orienta que os viajantes atualizem a caderneta de vacinação antes de embarcar. Crianças de 6 a 11 meses que vão para áreas de risco devem receber a "dose zero" pelo menos 15 dias antes da viagem.

COMO FUNCIONA A VACINAÇÃO GRATUITA PELO SUS

A "dose zero" é uma proteção extra e não substitui as doses regulares do calendário. O esquema padrão do SUS prevê duas doses da vacina tríplice viral, aplicadas aos 12 e aos 15 meses de idade.

Adultos de até 29 anos devem ter duas doses comprovadas, enquanto pessoas de 30 a 59 anos precisam de uma. A vacina é totalmente gratuita e está disponível em todos os postos de saúde do país.

A cobertura vacinal no Brasil em 2025 ficou abaixo da meta recomendada para a segunda dose. O país registrou 92,68% de cobertura para a primeira dose, mas apenas 78,04% para a segunda dose.