SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um membro do grupo que arremessou a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, durante a prática de um salto na ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), declarou que "a gente só viu isso [a falta da corda] depois que aconteceu".

Maria Eduarda era moradora de Jandira, no interior de São Paulo, e havia se deslocado até Limeira somente para saltar da ponte. Os instrutores de rope jump que a arremesaram, porém, não a prenderam em nenhum aparato de segurança.

"Faltou checagem", afirmou Gusttavo Losi, membro do grupo que oferecia os saltos, durante entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, divulgada nesta sexta-feira (26).

"O Luís Felipe [Egoroff, preso] não se recorda de quem seria a função da checagem. O Maicon [Cintra, também preso] também não se recorda. Mas era entre os dois e nenhum dos dois olhou. É triste", disse.

Losi chegou a ser ouvido pela polícia, mas foi liberado.

Segundo ele, Maria Eduarda disse antes de saltar que aquela seria a primeira vez em que praticaria rope jump e que estava nervosa.

"Eu equipei ela e disse: 'Agora é só aguardar daquele lado que os instrutores vão te chamar'. Quando aconteceu, eu estava de costas, equipando uma outra pessoa, e só escutei um barulho, o barulho do impacto", afirmou.

Luís Felipe, Maicon e Vitor de Freitas Gonçalves, que também atuava no momento do arremesso, estão presos desde que a tragédia aconteceu.

Segundo o relatório do inquérito, "a ausência de fixação do equipamento essencial de segurança não se configura como mero acidente, mas como fator determinante que impossibilitou qualquer estratégia de autoproteção por parte da vítima".

O advogado Rafael Gomes dos Santos, que defende Maicon e Luís, afirmou anteriormente que lamentava o indiciamento sob suspeita de homicídio doloso qualificado.

Segundo ele, o que houve foi uma tragédia sem explicação e que deve ser tratada como homicídio culposo (sem intenção) e simples.

Ele disse ainda que vai aguardar manifestação do Ministério Público, que pode ou não acolher a tese da Polícia Civil, antes de apresentar defesa.

A defesa de Vitor, por sua vez, afirmou que discorda imputação de homicídio com dolo eventual.

"A análise dos elementos disponibilizados à defesa demonstra que o indiciamento foi construído a partir de uma imputação coletiva, sem a necessária individualização das condutas de cada investigado e sem a demonstração concreta da atuação específica de Vitor nos fatos apurados", afirmaram em nota os advogados Jader Gilberto Martins dos Santos e Olga Thaynan Pereira Popoviche.

A chamada ponte do Esqueleto é um ponto tradicional de saltos e fica na divisa entre Limeira e Cordeirópolis.

A Folha de S.Paulo esteve no local em 15 de junho e mostrou que a estrutura era um local de fácil acesso e nenhuma segurança.

No dia 17, a Prefeitura de Limeira deu início a obras para impedir o acesso à ponte. Segundo a administração, a intervenção inclui o fechamento de acessos irregulares e complementa ações emergenciais que já haviam sido executadas na área anteriormente.

"A atuação ocorre após o Governo Federal reconhecer sua responsabilidade pela área e solicitar apoio operacional do município para ampliar a proteção do espaço até a adoção de medidas definitivas", afirmou a gestão municipal.

Na semana passada, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido liminar (provisório) para soltar Maicon Cintra e Luís Felipe Egoroff. O pedido poderia beneficiar também Vitor Gonçalves.

Relator do habeas corpus no tribunal, o desembargador Mazina Martins disse na decisão que "em casos assim é necessário primeiramente ouvir as informações que possam ser prestadas pelo juízo de origem a respeito dos diversos temas invocados". Somente depois, afirmou, o TJ-SP poderá decidir.