RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um homem de 36 anos foi preso no interior do Espírito Santo sob suspeita de usar uma plataforma de inteligência artificial para planejar a morte do próprio filho, de 8 anos, com o objetivo de evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira, informou a Polícia Civil nesta sexta-feira (26).
Até agora, o homem é considerado suspeito pelos crimes de ameaça, incitação ao crime e tentativa de homicídio.
A investigação começou após um alerta internacional chegar às autoridades brasileiras. Segundo a Polícia Civil, a empresa responsável pela plataforma de inteligência artificial informou ao FBI (Polícia Federal dos Estados Unidos) que um usuário realizava pesquisas frequentes relacionadas à intenção de matar o próprio filho. O nome da empresa não foi informado.
O FBI repassou as informações ao CyberLab, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que acionou a Polícia Civil capixaba.
A identidade do suspeito não foi divulgada. Por isso, a reportagem não conseguiu identificar a defesa dele para comentar o caso nesta sexta-feira.
Durante interrogatório, o homem negou ter a intenção de colocar os planos em prática, embora tenha admitido ter feito as pesquisas e interagido com a plataforma de inteligência artificial.
A prisão ocorreu na última sexta-feira (19), na localidade de Farturinha, zona rural de São Gabriel da Palha, no noroeste do estado.
O suspeito foi abordado quando saía para o trabalho e, segundo a polícia, não demonstrou esperar a ação. A prisão foi efetuada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, com apoio da delegacia do município.
Nas mensagens analisadas pelos investigadores, o homem relatava a intenção de contratar um pistoleiro para matar a criança e afirmava já ter em sua posse uma arma, uma corda e cianeto.
"Além disso, mencionava a possibilidade de realizar ataques contra escolas, igrejas e autoridades, afirmando que pretendia fazer o maior número possível de vítimas", disse o delegado Ícaro Olímpio, adjunto da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
As respostas dadas pela plataforma de inteligência artificial às mensagens do investigado não foram detalhadas pela Polícia Civil.
Segundo os investigadores, as conversas indicavam que os crimes poderiam ocorrer no dia 20 de junho. A denúncia chegou à Polícia Civil no dia 16, e a prisão foi efetuada no dia 19.
"Adotamos todas as medidas necessárias e efetuamos a prisão no dia 19, impedindo que um mal maior pudesse ocorrer", afirmou Olímpio.
As investigações seguem para verificar se houve alguma medida concreta para executar os crimes descritos nas conversas. Entre os pontos apurados está a existência do suposto pistoleiro citado pelo investigado. O celular apreendido durante a operação foi encaminhado para perícia.
"Agora vamos confrontar os dados obtidos nas conversas com o conteúdo extraído do telefone celular apreendido. O objetivo é verificar se houve alguma providência efetiva para a contratação de terceiros ou para a execução dos crimes mencionados", disse o delegado Brenno Andrade, titular da especializada.